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É a terceira alta seguida da taxa básica de juros; inflação em alta motivou a decisão do BC

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu na noite desta quarta-feira (10) aumentar a taxa básica de juros – a Selic – de 8% para 8,5% ao ano. Com isso, a taxa referencial brasileira volta ao nível de maio do ano passado. A Selic influencia nos juros cobrados em empréstimos e na remuneração a investidores, por exemplo.

A elevação da Selic ocorreu, segundo nota divulgada pelo BC, por conta co comportamento da inflação.

"O Comitê avalia que essa decisão contribuirá para colocar a inflação em declínio e assegurar que essa tendência persista no próximo ano", informou a nota do BC.

Inflação em alta ainda é motivo de preocupação para o Banco Central
Thinkstock/Getty Images
Inflação em alta ainda é motivo de preocupação para o Banco Central

A decisão foi tomada por unanimidade e sem viés. Na reunião anterior, em 29 de maio, a decisão também teve a aprovação de todos os integrantes do Copom. A alta da Selic foi a terceira consecutiva.

A inflação tem sido uma das principais preocupações do governo desde o início do ano. Ontem (9), representante do Fundo Monetário Internacional disse que o BC brasileiro não deve afrouxar ainda mais a sua política monetária neste momento, pois a inflação está muito elevada.

'Inflação [no Brasil] está acima da curva. Neste momento, usar estímulo monetário adicional seria, na nossa opinião, errado", disse o chefe do FMI para a divisão de Estudos Econômicos Mundiais, Thomas Helbling, em entrevista coletiva.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 0,37% em maio, após alta de 0,55% em abril, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 

Com o índice apurado em maio, o IPCA acumulou alta de 2,88% no ano e de 6,50% em 12 meses.

Opiniões

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgou nota sobre a decisão do Copom. Para a entidade, não houve surpresa. "O cenário inflacionário preocupante, com o IPCA acima do teto da meta, justifica a ação dos condutores da política monetária, avalia.

Assim como a CNI, a Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan) informou em nota que esperava a alta da Selic e lembrou que, além da inflação, também pesou na decisão a previsão de baixo crescimento econômico.

"Diante desse quadro, ... o Sistema Firjan reforça a importância da adoção de uma política fiscal norteada pela redução dos gastos correntes e que efetivamente reduza a pressão exercida pelo consumo do governo sobre a inflação. Essa política deve ser pautada por mudanças institucionais que sinalizem maior responsabilidade fiscal, incluindo o comprometimento com um superávit primário maior para os próximos anos, livre de artifícios contábeis, bem como o estabelecimento de limites para o crescimento das despesas públicas. De fato, o País precisa resgatar o compromisso com as metas fiscais, e cumpri-las", analisou a Federação.

Para a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), a alta do juro, mesmo que o nível de atividade não esteja em recuperação e que o mercado de trabalho apresente sinais de enfraquecimento, é a melhor alternativa para combater a inflação.

Fazem parte do Comitê o presidente do BC, Alexandre Antonio Tombini (Presidente), Aldo Luiz Mendes, Altamir Lopes, Anthero de Moraes Meirelles, Carlos Hamilton Vasconcelos Araújo, Luiz Awazu Pereira da Silva, Luiz Edson Feltrim e Sidnei Corrêa Marques.


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