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Segundo economistas, cenários catastróficos desenhados para o País supervalorizam dados negativos recentes

Prévia da inflação oficial teve alta de 0,19% no mês; no mesmo período do mês anterior a taxa registrada foi 0,63%
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Prévia da inflação oficial teve alta de 0,19% no mês; no mesmo período do mês anterior a taxa registrada foi 0,63%

Uma onda de pessimismo tomou economistas e analistas do mercado financeiro depois da divulgação de dados e de acontecimentos que tornaram o mês de junho um dos mais conturbados da história recente do País. Há quem afirme que 2013 pode terminar com um crescimento pífio — tal qual o de 2012 — e que a expansão do Produto Interno Bruto (PIB) de 2014 pode ser pior que a deste ano. Mas será esse pessimismo justificável? Na opinião de economistas consultados pelo Brasil Econômico , não. O principal erro, segundo eles, é o excesso de relevância dada a indicadores negativos e a subvalorização dos positivos.

Para Carlos Thadeu de Freitas Gomes, economista-chefe da Confederação Nacional do Comércio (CNC) e ex-diretor do Banco Central, o ano de 2013 é de ajustes, seja no mercado de trabalho ou na recuperação dos investimentos. Embora o País ainda careça de uma sintonia entre Ministério da Fazenda e BC, diz ele, as bases para que o País cresça mais em 2014 estão sendo fundamentadas.

“O mais importante é o processo de retomada da economia. Crescemos 0,9% em 2012, e cresceremos talvez 2% neste ano. Para mim, é claro que em 2014 este processo continuará. E o melhor, com uma nova queda da taxa básica de juros”, afirma.

Para Gomes, dois fatores permitirão que o país permaneça crescendo no futuro: a relação entre dívida líquida e PIB, que continua a diminuir, e os investimentos estrangeiros diretos, que se mantêm em patamar semelhante aos dos últimos anos. “Traçar o desempenho da economia a partir do dado isolado do PIB é simplista. Além disso, a inflação, que era uma das preocupações, dá sinais de que a queda pode ser maior que a esperada. Falta confiança do mercado nas autoridades econômicas”, diz.

André Perfeito, economista-chefe da Gradual Investimentos, diz que seus colegas, em geral, estão revisando fortemente seus cenários, tendo em vista um mês excepcionalmente ruim. Eventos atípicos, como as manifestações, estão recebendo um peso maior do que deveriam, em sua opinião. “A chance é grande que os economistas errem particularmente duas projeções: a de PIB para 2014 e de câmbio para 2013. No PIB do ano que vem, os economistas entendem que o mau humor com a economia brasileira vai continuar, o que nitidamente não é verdade”, avalia.

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Uma das críticas recorrentes entre os pessimistas, a política fiscal descontrolada, desenha um horizonte nebuloso para o País. E o número de ministérios, 39, também é outro alvo de reclamação. No entanto, o gasto total do governo federal, de 18% do PIB, é praticamente todo consumido por previdência, saúde, educação e progrmas sociais, apontam economistas. Uma suposta eficiência fiscal poderia representar, no máximo, uma economia em torno de 4% do PIB ao longo de muitos anos de esforço.

José Márcio Camargo, economista-chefe da Opus Consultoria possui uma visão crítica sobre a economia brasileira atual. Ele diz que há um ambiente propício ao desinvestimento. A queda da produção industrial — 2% em maio — e no varejo — 1,6% em junho — são catalizadores deste processo. “Não vejo sinal positivo neste momento. Temos um ministério da Fazenda praticando uma política fiscal ruim e um Banco Central desacreditado. Interferências no mercado também são sinais de populismo. Comecei o ano já pessimista, prevendo alta de 2,5% do PIB. Agora estou revisando para menos de 2%. Talvez só em 2014 o País volte a crescer mais do que isso”, complementa.