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Segundo Luiz Rabi, economista da Serasa Experiam, com as manifestações, as lojas fecharam mais cedo e os consumidores não saiam de casa para comprar

Brasil Econômico

Se a produção industrial sente o impacto das manifestações, outro setor também sofre o reflexo das incertezas vividas com as cobranças das ruas. Um levantamento realizado pela Serasa Experian aponta uma retração de 1,6% no desempenho do comércio varejista em junho, período de maior intensidade das passeatas pelo país, se comparado com o mês de maio. Os economistas garantem que entre os culpados pela queda de vendas está a mobilização.

Manifestações reuniram milhares de pessoas em todo o País
Futura Press
Manifestações reuniram milhares de pessoas em todo o País

“Não a colocamos como principal motivo para o desempenho do mês, pois tivemos junto outros fatores provocando um movimento mais fraco. Mas com as manifestações, as lojas fecharam mais cedo e os consumidores não saiam de casa para comprar, por isso acabou afetando”, analisa Luiz Rabi, economista da Serasa Experian.

Entre outros fatores, especialistas apontam o aumento da taxa de juros, que diminuiu o poder de crédito do consumidor, o pequeno crescimento do mercado de trabalho e o peso da inflação no bolso das famílias, que deixou muitas vezes de comprar algum produto orque sua renda acabou comprometida por itens essenciais, como alimentos - um dos principais vilões da inflação dos últimos meses.

“O ritmo da primeira quinzena, quando não havia manifestações, era mais forte. Com os protestos, o comércio, que só vende quando está aberto, teve que fechar mais cedo. Entre os fatores econômicos, o crédito tem tido uma expansão lenta, o que impactou no desempenho de junho. No caso da inflação, o salário é o mesmo para todo tipo de compra ou conta”, destaca Marcel Solimeo, economista-chefe do Instituto de Economia Gastão Vidigal, da Associação Comercial de São Paulo.

Os resultados comprovam a influência desses fatores econômicos no varejo. A principal retração aconteceu no setor de móveis, eletroeletrônicos e informática, com queda de 1,1%. “São setores que dependem muitas vezes de crediário”, ressalta Rabi.

Outro ramo que teve um desempenho ruim foi combustíveis e lubrificantes, com recuo de 1%. “Com a manifestação, a população sai menos com o carro, pois tem mais trânsito e medo de encontrar pela frente os manifestantes”, salienta Solimeo.

Em meio ao cenário de queda em junho, três setores se destacaram de forma positiva. Os supermercados registraram aumento de 0,3%, o setor de material de construção cresceu 1,1%, e o comércio de veículos, motos e peças alcançou a marca de 6,2%.

“O setor de automóvel segue uma lógica diferente, pois você tem taxas diferenciadas. É um setor que ainda conta com o incentivo do cancelamento do IPI. Você tem constantes promoções de taxa zero, pois os bancos das montadoras não seguem os juros de mercado. Se a Selic sobe, os juros para veículos novos não sobem obrigatoriamente”, afirma Rabi.

Se o desempenho de junho foi negativo para o comércio em geral, a perspectiva é de melhorar pouquíssimo nos próximos meses, com a redução dos protestos. “Não dá para apostar que vai deslanchar, principalmente por conta dos juros, que é a política que busca esfriar o consumo”, comenta Rabi, que tem o apoio do economista da ACSP. “O índice de confiança do consumidor continua baixo com as incertezas políticas e econômicas”, diz Solimeo.

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