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No entanto, a agência de avaliação de risco afirma que as manifestações reforçam a percepção negativa dos mercados financeiros em relação ao País

Agência Estado

As manifestações no Brasil reforçam a percepção negativa dos mercados financeiros em relação ao País, mas não devem ter impacto na avaliação do risco de crédito brasileiro, segundo a Moody's. "Os fundamentos econômicos e fiscais do Brasil devem ser capazes de suportar o impacto dos protestos no país", destaca um relatório divulgado nesta quinta-feira.

Onde de protestos não impacta a nota de risco do Brasil, afirma a agência Moody's
Futura Press
Onde de protestos não impacta a nota de risco do Brasil, afirma a agência Moody's

No relatório, a Moody's avalia que os protestos no Brasil "reduzem temporariamente os indicadores de atividade econômica", além de afetar negativamente a percepção dos investidores estrangeiros. "Combinado com um ambiente de financiamento externo rigoroso, esses eventos limitarão ainda mais a perspectiva de crescimento do Brasil para este ano. No entanto, amplas reservas internacionais devem permitir que o país não venha a ter problemas no balanço de pagamentos."

"Os fundamentos econômicos, financeiros e fiscais que apoiam o rating soberano do Brasil permanecerão inalterados contanto que os protestos não produzam um impacto negativo duradouro na estabilidade social ou na perspectiva de crescimento de médio prazo do país", destaca a agência de classificação de risco. O rating soberano do Brasil tem perspectiva "positiva" na Moody's e no processo de revisão que vai ocorrer este ano, este viés pode ser alterado, destacou a agência.

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A Moody's destaca que, diferentemente dos protestos que têm ocorrido nos países da "Primavera Árabe" ou na Rússia, as manifestações no Brasil não enfocam governantes ou instituições específicas. Eles pedem melhores serviços e refletem um descontentamento com uma série de questões, todas ligadas ao anseio da classe média em ascensão no país. A Moody's vê os protestos como "parte de uma difícil transição econômica e social" pela qual passa uma economia de mercado emergente com regime político democrático e não autoritário.

Com um ambiente externo se tornando menos favorável, em meio às expectativas de mudanças na política monetária do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) e preocupações com a China, a Moody's destaca que esse conjunto de eventos limita ainda mais a perspectiva de crescimento para 2013.

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Outra consequência das manifestações é que elas também tornarão mais difícil para as autoridades cumprirem suas próprias metas fiscais. "Ainda que o governo tenha comunicado a intenção de minimizar o potencial impacto dos protestos nas contas fiscais, é provável que seja mais fácil falar do que cumprir com esse objetivo", diz a Moody's.

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