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Sem lançamentos de 2010 a 2012, área registrou 434 novos empreendimentos desse tipo até maio. O Grupo Opportunity está investindo R$ 400 milhões para erguer três torres na Cinelândia

Brasil Econômico

Cinelândia, no Rio de Janeiro
Caio Quero/ BBC Brasil
Cinelândia, no Rio de Janeiro

Assim como aconteceu com outras as regiões centrais de grandes cidades, o centro do Rio de Janeiro voltou a se tornar atrativo para empreendimentos comerciais. Somente no primeiro trimestre deste ano, 66,7 mil metros quadrados de espaços corporativos foram inaugurados nessa região, segundo levantamento da consultora imobiliária Jones Lang LaSalle. Boa parte desses empreendimentos é de alto padrão.

Outro levantamento da Associação dos Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário (Ademi) revela que de 2010 a 2012, a região central do Rio de Janeiro não teve lançamentos comerciais. Mas até maio deste ano, a entidade registrava 434 novos empreendimentos nessa localidade.
O estudo feito pelo Sindicato da Habitação do Rio de Janeiro (Secovi-RJ) detectou uma mudança no perfil das empresas que estão migrando para a região. Essa área, que costumava concentrar os endereços das empresas financeiras – tanto é que o local é conhecido como o coração financeiro da cidade maravilhosa- vem atraindo companhias do setor de serviços.

Para Leonardo Schneider, vice-presidente Secovi-RJ, o centro vive um bom momento. “O processo de ordenamento, as melhorias físicas nos espaços urbanos e as perspectivas positivas com relação ao Porto Maravilha favorecem a instalação de empresas”, argumenta Schneider. Ainda segundo a entidade, o preço médio do metro quadrado ali teve alta de aproximadamente 20% no ano passado. Se forem considerados os imóveis localizados entre a Rua do Ouvidor e a Avenida Almirante Barroso, área chamada de Quadrilátero de Ouro, a valorização chega a 43%, apenas em 2012.

Um dos grupos que está apostando na região é o Opportunity, que está investindo R$ 400 milhões em um mega empreendimento que vai da Rua do Passeio até a Rua Evaristo da Veiga, na Cinelândia. Ali, na área do Cine Palácio, serão erguidas três torres comerciais, com 17 andares cada, 400 vagas de garagem, em uma área total de 70 mil metros quadrados.

“Será erguido um complexo de salas comerciais, visando à instalação de grandes empresas” afirma o gestor do fundo imobiliário do Grupo Opportunity, Jomar Monnerat. O Passeio Corporate, como foi batizado, é voltado para a locação e terá salas com metragens que variam de 450 a 4 mil metros quadrados. No térreo haverá espaço para lojas.

Além disso, está prevista a restauração do Cine Palácio, prédio histórico localizado no Passeio, que será interligado ao terreno do complexo comercial. As obras tiveram início no segundo semestre de 2011 e serão finalizadas no segundo semestre de 2014.

Para Ernani Freire, professor de arquitetura da PUC-RJ, a revitalização das regiões centrais é comum nas grandes cidades. “Historicamente isso aconteceu nas principais megalópoles, como Londres. Em geral, regiões centrais nas grandes cidades passam por inchaço no período de construção da cidade e consequente super valorização do metro quadrado. Esse processo é seguido por uma retração e, depois de um tempo, o centro volta a se valorizar e a demanda por esses locais aumenta novamente,principalmente por ser um espaço que apresenta infraestrutura desenvolvida”, explica o professor.

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