Tamanho do texto

Saldo de US$ 2,4 bi é fruto do fim de acordo automotivo e do atraso contábil da Petrobras

Brasil Econômico

O Brasil recuperou parte do déficit acumulado no ano durante o mês de junho. Segundo relatório divulgado ontem pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic), o superávit no período foi de US$ 2,39 bilhões. Dois motivos balizaram a alta: o fim do período de vigência do acordo automotivo entre Brasil e Argentina e o término da contabilização das importações feitas pela Petrobras ainda no ano passado.

No primeiro caso, a proximidade do término do acordo, que expirou no último domingo, fez com que fabricantes de produtos automotores corressem para exportar tudo o que pudessem até a data. Com isso, as vendas para a Argentina saltaram 25,4% quando comparadas com igual período de 2012.

Com o fim do acordo automotivo, as vendas para a Argentina saltaram 25,4%
AE
Com o fim do acordo automotivo, as vendas para a Argentina saltaram 25,4%

Segundo Alberto Alzueta, presidente da Câmara de Comércio Argentino Brasileira (Camarbra), os empresários estão com medo de entraves às exportações. Com o acordo, embora contemple um limite de vendas, as fronteiras ficavam abertas aos produtos. Sem ele, as empresas precisarão passar pelo crivo do secretário de Comércio Interior, Mário Guillermo Moreno. A situação é semelhante à de maio de 2011, quando centenas de veículos ficaram parados na fronteira com o parceiro comercial devido ao fim do acordo.

“Correram para estocar tudo o que podiam do outro lado da fronteira. Essas vendas não significam que o argentino está consumindo o produto brasileiro, mas sim estratégias de empresas que precisam manter suas filiais abastecidas”, explica Alberto Alzueta.

No próximo dia 12, Dilma Rousseff e Cristina Kirchner, as presidentes de ambos os países, se encontrarão na Reunião de Cúpula do Mercosul, que será realizada em Montevideo, no Uruguai. Até então, valerá o livre-comércio previsto na legislação do Mercosul. “Imagino que as exportações do setor possam travar novamente. Por isso, acho que um novo acordo será fechado devido à importância que este setor tem para as duas economias”, avalia.

O segundo fator que elevou o saldo brasileiro foi o fechamento da contabilidade tardia feita pela Petrobras. Maio foi o último mês do ajuste de importações de petróleo e derivados que foram feitas no ano passado, mas que não foram declaradas. Com isso, a compra de óleos, combustíveis e lubrificantes caiu 38,9% em junho. Até maio, haviam sido contabilizadas importações dos produtos da ordem de US$ 6,43 bilhões.

A redução ajudou o saldo comercial de junho, que ficou positivo em US$ 2,4 bilhões, resultado de US$ 21,2 bilhões em exportações e de US$ 18,8 bilhões em importações.

Para Silvio Campos Neto, economista da consultoria Tendências, o atraso nas contas do setor petroquímico é o maior responsável pelo déficit de US$ 3 bilhões que o país amarga em 2013. O saldo acumulado nos primeiros seis meses do ano é o pior desde 1995.

No entanto, no segundo semestre, indica Campos Neto, o sinal da balança comercial deve inverter. Sua projeção para o final do ano é de superávit de US$ 9,5 bilhões. “Há alguns pontos atípicos que influenciaram o resultado da balança comercial neste primeiro semestre. A tendência é de superávit, mas não será um número tão favorável como vimos nos últimos anos”, afirma.

China dispara na liderança como principal parceiro

As exportações para a China somaram US$ 4,9 bilhões em junho, mais do que o dobro exportado para o segundo maior parceiro no período, os Estados Unidos, com US$ 2,2 bilhões. O Panamá, devido à compra de uma plataforma de petróleo, ficou em terceiro lugar, com US$ 1,7 bilhão, e a Argentina em quarto, com US$ 1,6 bilhão.

Para Campos Neto, a disparidade dos valores é preocupante. Segundo ele, fruto do desinteresse das empresas brasileiras e até mesmo do governo em trabalhar com mercados desenvolvidos. A dificuldade em se desvencilhar do Mercosul para trabalhar acordos comerciais é o principal empecilho. “Temos uma pauta de exportação para a China muito concentrada em algumas commodities e que são voláteis, como minério de ferro e soja. Já mercados que o Brasil poderia trabalhar a diversidade de produtos, como os Estados Unidos, dependem de acordos comerciais, que foram deixados de lado. Esta dependência chinesa cresce rapidamente”, afirma.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.