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Medidas agressivas de estímulo do primeiro-ministro japonês parecem estar surtindo efeito

Vendedora fotografa uma cliente que experimenta roupas em loja de departamento em Osaka, Japão
NYT
Vendedora fotografa uma cliente que experimenta roupas em loja de departamento em Osaka, Japão

Daisuke Horii acabou de receber seu bônus. Foi um pouco menos que no ano passado, mas o suficiente para levar o vendedor de 34 anos a um distrito de eletrônicos de Tóquio para procurar alto-falantes de alta qualidade.

“Os produtos parecem mais brilhantes, não?”, disse Horii, ao examinar e depois descartar opções mais baratas na movimentada loja Yodobashi Camera. Ele fixou o olhar no sistema de som Bose, que vai anexar a sua TV, por cerca de US$ 400.

“Eu realmente não preciso disso, mas eu quero”, disse. “Uma boa economia significa que você pode comprar as coisas das quais você não precisa”.

A estratégia do primeiro-ministro Shinzo Abe de reavivar a economia japonesa mira consumidores como Horii, prontos a esbanjar dinheiro em coisas boas da vida.

Uma grande recuperação no consumo foi a conexão mais fraca do “Abenomics”, a agressiva estratégia de estímulo econômico que Abe iniciou desde que tomou posse, em dezembro.

O Abenomics já aumentou os lucros dos exportadores japoneses, graças à desvalorização do iene devido a medidas agressivas. Ele encontrou um espírito semelhante em Haruhiko Kuroda, o novo chefe do Banco do Japão, que fez o banco central facilitar o suprimento de dinheiro e reinflar a economia. Bolsas de valores recobraram forças, enquanto investidores estrangeiros retornaram ao país.

Estatísticas divulgadas na sexta-feira (28) pelo governo deram mais provas da recuperação do Japão. A produção industrial cresceu robustos 2% em maio em relação ao mês anterior. O índice Kinnei subiu 3,5% na sexta em sua melhor performance.

Combatendo a deflação

Reverter uma deflação de preços que durava 15 anos, apontada por Abe como causa e sintoma de baixos lucros, salários e consumo, é uma tarefa mais árdua. Para as empresas se sentirem confiantes para iniciar um aumento de preços, consumidores japoneses tem que estar dispostos a gastar novamente.

Dados divulgados na sexta-feira mostraram que o consumo doméstico caiu 1,6% em maio em relação ao ano anterior, contrariando as expectativas de economistas de um aumento de 1,3%. Ainda assim, pela primeira vez em sete meses, os preços do consumo em maio não caíram ante o ano anterior, ficando estáveis após terem caído 0,4% no mês anterior.

“Estamos confortáveis com a ideia de que a tendência de consumo crescente continua”, disse o economista Masamichi Adachi, do JPMorgan Securities do Japão. “Um aumento esperado nos bônus de verão pagos em junho e julho e uma melhora do humor geral são os principais motivos”, afirmou.

Fim do período de avareza

Há alguns sinais de que após anos de avareza, o consumo volta a crescer no Japão. Mas por enquanto, isto acontece nas altas esferas, entre os financistas, profissionais e japoneses bem de vida beneficiados com os recentes ganhos da bolsa.

Vendas de Ferraris no Japão cresceram quase 20% este ano, segundo dados da Associação de Importadores de Carros do Japão. “Vemos que a confiança começou a despontar nos últimos meses”, afirma Herbert Appleroth, chefe-executivo da Ferrari no Japão. “Um dos nossos maiores crescimentos acontece aqui”.

Na loja de departamento Hankyu Umeda, em Osaka, as vendas de relógios de luxo, joias e outros itens caros estão em alta, o que aumentou as vendas de maio em 63%, em comparação ao ano anterior, no sexto mês seguido de crescimento na casa dos dois dígitos.

“Consumidores japoneses estão cansados de produtos baratos”, disse Keiji Uchiyama, gerente da loja.

Nobuko Kido, de 61 anos, e Ikuko Hatanaka, de 60, donas de casa em tempo integral, contam que a cobertura positiva da mídia sobre a economia as fez se sentirem menos culpadas em frequentar a loja de departamento. Kido gastou 60 mil ienes (US$ 612) em uma pequena bolsa da grife italiana Etro.

“Há um sentimento de que a economia está finalmente decolando. Ou talvez esta seja apenas uma desculpa que vou dar ao meu marido”, diz a dona de casa.

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