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Saldo da entrada de capitais no país nos cinco primeiros meses do ano é 12,56 % maior

Brasil Econômico

O Brasil registrou, de janeiro a maio deste ano, ingressos líquidos de recursos no total de US$ 45,7 bilhões, cerca de 12% a mais que os ingressos verificados no mesmo período em 2012, que ficaram em US$ 40,6 bilhões, segundo números da conta financeira - que registra todas as operações financeiras entre o país e o exterior - divulgados ontem pelo Banco Central.

Os investimentos brasileiros diretos no exterior acumularam retornos líquidos de US$ 4,3 bilhões
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Os investimentos brasileiros diretos no exterior acumularam retornos líquidos de US$ 4,3 bilhões

Os investimentos brasileiros diretos no exterior acumularam retornos líquidos de US$ 4,3 bilhões, ante US$ 6,1 bilhões nos cinco primeiros meses de 2012. Os ingressos líquidos de Investimento Estrangeiro Direto (IED) somaram no período US$ 22,9 bilhões, dos quais US$ 14,7 bilhões foram destinados ao aumento de participação em capital de empresas e US$ 8,2 bilhões a empréstimos intercompanhias. O IED acumulado em doze meses atingiu US$ 64,2 bilhões, correspondente a 2,82% do Produto Interno Bruto (PIB)em maio.

Segundo o Banco Central, os investimentos brasileiros em carteira no exterior registraram aplicações líquidas de US$ 3,6 bilhões, ante US$ 5,2 bilhões nos cinco primeiros meses de 2012, ressaltando-se as reduções na aquisição de ações de empresas estrangeiras e na demanda de residentes por títulos estrangeiros.

Os números do Banco Central referentes aos ingressos líquidos de investimentos estrangeiros em carteira no Brasil mostram que até maio o fluxo foi positivo na atração de capital externo ao país. De janeiro a maio deste ano, os ingressos somaram US$ 15 bilhões, com US$ 9,6 bilhões de investimentos estrangeiros líquidos em ações de companhias brasileiras, ante US$ 2,8 bilhões em igual período de 2012. Os investimentos estrangeiros em títulos de renda fixa negociados no país registraram aplicações líquidas de US$ 4,2 bilhões, ante US$ 1,4 bilhão nos primeiros cinco meses de 2012.

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Os negócios com bônus da República implicaram ingressos líquidos de US$ 317 milhões, de janeiro a maio de 2013. Em maio, a reabertura do Global 23 com a emissão soberana proporcionou ingressos de US$ 800 milhões e registrou o menor spread da série de captações efetuadas pela República, 98 pontos base.

Os números foram divulgados ontem pelo BC no Relatório de Inflação apresentado em entrevista pelo Diretor de Política Econômica, Carlos Hamilton de Araujo. A projeção do BC para o IED neste ano foi mantida no Relatório em US$ 65 bilhões, o que equivale a 2,8% do PIB.

Segundo o BC, embora os fluxos mundiais de IED tenham se moderado, o Brasil vem absorvendo parcela significativa desses recursos, movimento que deverá ser sustentado em 2013, entre outras razões, em resposta ao programa de concessões de serviços públicos e a leilões de permissão para exploração de óleo no pré-sal.

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Além do IED, o diretor do BC também previu que a retomada da economia americana vai ajudar na recuperação das exportações brasileiras aos Estados Unidos, um dos principais parceiros comerciais do Brasil. Sobre a turbulência nos mercados e desvalorização do real motivadas pela decisão do Banco Central dos Estados Unidos de reduzir os estímulos monetários à economia do país até o fim do ano, justamente em função desta recuperação,Hamilton disse que esse cenário já era previsto.

“O nervosismo nos mercados financeiros era esperado, com reação mais forte do que em condições normais. Mas isso é positivo pois é uma volatilidade em relação à perspectiva de melhora da economia americana”, afirmou o diretor do BC.

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Sobre as intervenções do Banco Central para controlar as cotações do dólar, o diretor Araújo destacou também que o BC “não tem compromisso com nenhum patamar de câmbio”, mas, sempre que julgar necessário, fará intervenções no mercado, como tem feito recentemente.Com ABr.

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