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Onda de protestos leva analistas a sugerirem diminuição de exposição a empresas estatais que prestam serviços públicos, como Cemig e Sabesp

Agência Estado

A onda de protestos que tomou conta das principais cidades brasileiras desde a semana passada contra o reajuste da tarifa de ônibus levou os analistas do banco de investimentos Itaú BBA a sugerirem aos investidores que diminuam a sua exposição a empresas estatais que prestam serviços públicos, como Cemig, Copel, Cesp e a Sabesp.

Embora ponderem que seja difícil medir o potencial impacto das manifestações, os analistas lembraram que os políticos brasileiros já demonstram desconforto em adotar medidas impopulares, como reajustes tarifários, sobretudo por causa da proximidade das eleições para presidência e para os governos estaduais em 2014.

"Infelizmente, setores regulados como as concessionárias de serviços públicos são expostos a esse risco, e é por isso que acreditamos que esse é o momento certo para uma rotação no portfólio de empresas estatais para companhias privadas", afirmaram os analistas Marcos Severine, Mariana Coelho e Gabriel Laera, em relatório distribuído aos seus clientes.

A tese do Itaú BBA já se confirmou na prática. O governador do Paraná, Beto Richa, solicitou ontem à Copel que não aplicasse o reajuste tarifário de 14,61% autorizado ontem pela Aneel.

Interferência

Os analistas do Itaú avaliaram que o aumento de custos incorrido pelas distribuidoras com a compra de energia, por causa do maior despacho térmico para recompor o nível dos reservatórios, aumentou o risco de interferência do governo federal no setor.

No relatório, o banco citou que, no começo do ano, havia estimado que o acionamento das termelétricas poderia custar até R$ 25 bilhões, o que implicaria em um aumento de 23,5% nas tarifas de energia - isso compensaria a redução das tarifas promovida pela renovação das concessões do setor.

O custo do despacho termelétrico só não foi sentido integralmente pelos consumidores porque o governo decidiu bancar essa conta, com aportes na Conta de Desenvolvimento Energético (CDE) para que o encargo fosse usado para cobrir os custos com a compra de energia não coberta pelas tarifas das concessionárias.

"Nesse cenário, nossa única convicção é que o aumento da tarifa de energia no curto prazo será evitada, significando que a ‘bola de neve’ do custo da energia vai comprometer as contas do governo (através de mais subsídios) ou o balanço das empresas", avaliaram.

Nesse contexto, os analistas sugeriram que os investidores evitem empresas estatais, distribuidoras, companhias altamente alavancadas e as empresas endividadas em dólar (devido a forte desvalorização do real). Entre elétricas analisadas pelo Itaú BBA, o banco recomendou evitar as ações de Cemig, Copel, AES Eletropaulo e Cesp. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

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