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Prioridade para o banco central, sob instruções da liderança política chinesa, continua a ser a de domar os empréstimos desenfreados no país

Agência Estado

A crise de liquidez na China, que mandou as taxas de juro de curto prazo para um patamar tão alto quanto 25% no início desta semana e alarmou os mercados do mundo todo, teve um alivio na sexta-feira, 21. Operadores de mercado disseram que o Banco do Povo da China (PBoC) pode ter pedido aos grandes bancos estatais que se abstenham de acumular dinheiro e liberem mais recursos para aliviar o aperto de liquidez. Mas a prioridade para o banco central, sob instruções da liderança política chinesa, continua a ser a de domar os empréstimos desenfreados no país.

A campanha da China para domar o excesso de crédito pode ser muito agressivo, dizem os críticos, criando mais problemas do que aqueles que está tentando resolver e, também, aumentando o risco de que a segunda maior economia do mundo enfrente turbulências contínuas e crescimento lento.

Se a ação do PBoC reduz ainda mais o crescimento da China, os efeitos em cascata atingirão todo o mundo, de fornecedores de commodities da Ásia, América Latina e África até os fabricantes e empresas de alta tecnologia da Europa e dos Estados Unidos (EUA).

O PBOC, que raramente explica suas ações, não respondeu aos repetidos pedidos de comentário.

A pressão sobre a liquidez da China vem em um momento de volatilidade dos mercados globais causada, pelo menos em parte, pelo afrouxamento monetário agressivo do Banco do Japão (BoJ) e pelas declarações do Federal Reserve de que vai começar a tirar o pé do acelerador monetário nos EUA.

Na sexta-feira, especulações de que o banco central chinês poderá tomar medidas para aliviar a crise de liquidez ajudou a reduzir os custos de empréstimos de referência no mercado interbancário da China - onde os bancos emprestam uns aos outros. A taxa de recompra de contrato de sete dias foi a 9,29% em média, na sexta-feira, ante 11,62% no fechamento de quinta-feira, 20.

Ainda assim, a taxa continua muito acima da sua faixa típica, de 2% a 3%, e analistas dizem que as autoridades podem precisar tomar medidas enérgicas para restabelecer as condições de financiamento. A taxa interbancária ainda poderia saltar na próxima semana, com os credores correndo para captar dinheiro para atender as necessidades de financiamento urgentes de fim de trimestre.

Com as taxas de juro interbancárias em níveis elevados, os custos de financiamento dos bancos estão ainda mais elevados. "Se os bancos repassam esses custos para taxas de juros dos empréstimos, isso é efetivamente um aperto monetário", disse Zhu Haibin, economista para a China do JP Morgan. "Isso colocaria mais pressão" sobre uma economia já em desaceleração.

O Produto Interno Bruto (PIB) da China cresceu 7,7% no primeiro trimestre do ano sobre o período anterior, um de seus piores desempenhos desde a crise financeira global, e a expectativa era por uma desaceleração ainda maior, mesmo antes de o banco central começar a empurrar as taxas interbancárias para cima no início de junho.

Foi um movimento calculado, já que os líderes sabiam que poderia retardar o crescimento ainda mais, já que com as taxas de juros mais altas os bancos são obrigados a reduzir os empréstimos, pelo menos no curto prazo.

O PBOC não disse porque está apertando o mercado de crédito, quanto tempo vai continuar com essa política, ou como se mede o sucesso ou fracasso dessa atuação. Isso não é incomum no sistema chinês bastante fechado. As autoridades chinesas mantiveram em grande parte o silêncio, também, quando o crédito cresceu no terceiro trimestre do ano passado, o que impulsionou temporariamente o crescimento.

Fonte: Dow Jones Newswires.

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