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Especialistas estão perplexos e sem apostas no direcionamento macroeconômico, diante das mudanças no mercado internacional, do quadro econômico do país e do rumo político após as manifestações nas ruas

Protesto no Rio de Janeiro, na quinta-feira (20)
AP
Protesto no Rio de Janeiro, na quinta-feira (20)

Os economistas suspenderam suas projeções após os acontecimentos recentes nas ruas. Crescimento da atividade, inflação e apostas na condução da taxa básica de juros pelo Banco Central tornaram-se "imponderáveis" no curto prazo, diz a diretora da Casa das Garças e sócia da Galanto Consultoria, Mônica de Bolle.

Diante da insatisfação popular e da resposta do governo com o aumento dos gastos públicos, da inflação oscilando no teto da meta de 6,5% e da valorização cambial, especialistas em macroeconomia entrevistados pelo Brasil Econômico disseram que preferem aguardar a condução dos fatos para retomar suas projeções.

Mesmo o mercado de trabalho, que heroicamente sustenta a economia há meses, em maio, deu sinais de uma possível perda de fôlego, revelou a última Pesquisa Mensal de Emprego (PME) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A taxa de desemprego parou de cair e estacionou em 5,8%, mesmo índice de abril e superior ao patamar de dezembro de 2012, de 4,6%. "O ritmo de queda da taxa de desemprego deixa muito a desejar entre 2012 e 2013, em relação à evolução de 2011 a 2012", ressalta o gerente da pesquisa, Cimar Azeredo.

Preocupa também a desaceleração do nível de ocupação, de 54,2% para 53,8%, comparando os meses de maio do ano passado e de 2013, respectivamente. Isso indica que há mais pessoas procurando emprego do que vagas criadas. E mesmo o rendimento, responsável por manter o consumo em níveis elevados até então, caiu 0,3% ante o mês anterior.

A sinalização positiva parte da indústria paulista, que contratou 3,6% a mais do que no ano passado e 2,2% frente a abril. E, com a valorização do câmbio, melhoram também as perspectivas para os fabricantes nacionais.

Ainda assim, não é simples a agenda da equipe econômica. "Os países emergentes, inclusive o Brasil, foram pegos no contrapé", avalia o presidente da Inter.B Consultoria Internacional de Negócios, Cláudio Frischtak, ao comentar o anúncio do presidente do Federal Reserve (Fed), Ben Bernanke, de que os Estados Unidos irão atuar para atrair capitais até então investidos em mercados emergentes. "Agora, está todo mundo refazendo as contas", afirma Frischtak.

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