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Déficit em transações correntes chegou a US$ 6,420 bilhões, acima das projeções do Banco Central, que previa um desempenho negativo de US$ 5,2 bilhões

Agência Estado

Chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Tulio Maciel
Wilson Dias/ABr
Chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Tulio Maciel

O chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Tulio Maciel, disse nesta sexta-feira (21) que o déficit em transações correntes em maio, de US$ 6,420 bilhões, veio acima das projeções do BC, que previa um resultado negativo de US$ 5,2 bilhões.

"Grande parte (dessa diferença) se deve ainda ao desempenho da balança comercial. O desempenho tem sido inferior ao de igual mês do ano passado e isso vem se repetindo desde início do ano", avaliou.

Maciel salientou que o resultado de maio foi o maior déficit para o mês da série histórica, que começa, com abertura mensal, em 1990. Os dados anuais eram apresentados pelo governo desde 1947. A projeção do BC para junho, segundo ele, é de um déficit de US$ 5,4 bilhões para a conta corrente deste mês.

Saiba mais: Previsão de déficit em conta corrente sobe para US$ 75 milhões, anuncia BC

Segundo Maciel, o ingresso de Investimento Estrangeiro Direto (IED) em junho será de US$ 5,5 bilhões. Até o dia 19 deste mês, diz o diretor do BC, o resultado parcial registra entradas no total de US$ 3,6 bilhões. "Do lado de financiamento, a noticia boa é que os fluxos seguem em níveis favoráveis", disse.

Ele salientou que o resultado de IED de maio, de quase US$ 3,9 bilhões, ficou acima da expectativa do BC para o período. No acumulado de 12 meses, o saldo é o maior valor desde dezembro de 2012, quando estava em US$ 65,2 bilhões, informou. O BC divulgou nesta sexta-feira um saldo de IED em 12 meses até maio de US$ 64,221 bilhões.

Viagens internacionais

Na avaliação do diretor do BC, a demanda por serviços vem crescendo e a conta de viagens internacionais vem apresentando um crescimento significativo. Maciel salientou que o saldo de US$ 1,712 bilhão é o maior para meses de maio e que também são recordes os resultados acumulados no ano e em 12 meses.

Segundo ele, a conta de viagens é sensível a mudanças no câmbio e deve responder à trajetória de alta do dólar vista nos últimos dias. Ele ressaltou, porém, que esse não é o único fator predominante para o resultado das viagens. "A renda também cresceu".

Deterioração

Questionado sobre os impactos da deterioração das contas externas principalmente para 2014, Maciel evitou responder. Segundo ele, as projeções do BC são feitas apenas para o período que se encerra no final deste ano.

Nesta sexta-feira, o BC divulgou suas novas projeções do setor externo para o fechamento deste ano e houve um aumento significativo na previsão para o déficit em transações correntes, fortemente influenciado por uma piora da projeção para a balança comercial. Segundo Maciel, o quadro de financiamento é confortável."Nossa projeção vai até o final deste ano. Não vejo por que o IED pode deixar de vir (para o Brasil)", disse.

O diretor do BC enfatizou ainda que há uma série de desdobramentos futuros que podem influenciar os resultados lá na frente. "Há uma série de fatores envolvidos", disse. "O IED segue vindo bem, não vejo por que deixará de vir. O câmbio é flutuante e ajuda nesse equilíbrio e as taxas de rolagem também se mostram favoráveis há bastante tempo. Então, o quadro de financiamento de transações correntes é favorável", completou.

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