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Projeto da iniciativa privada utiliza o evento teste para aproximar empresários brasileiros de estrangeiros

Não é apenas para a Fifa e para os vendedores de cachorros-quentes e cervejas dentro dos estádios que a Copa das Confederações pode dar lucro. Uma verdadeira teia de negócios utiliza os bastidores do espetáculo para fomentar investimentos e exportações brasileiras. A meta dos organizadores é alavancar em ao menos US$ 1 bilhão as exportações de produtos nacionais. No entanto, o estreitamento de relações entre empresários brasileiros e estrangeiros pode gerar negócios também nas áreas de serviços e investimentos diretos. Estas cifras, segundo a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), são incalculáveis.

A meta para a Copa do Mundo é quadruplicar o número de negócios gerados na das Confederações, que é considerada um teste
Agustin Cuevas/Brazil Photo Press
A meta para a Copa do Mundo é quadruplicar o número de negócios gerados na das Confederações, que é considerada um teste

Ao todo, foram convidadas 903 empresas de 71 países para assistir a sete jogos da Copa das Confederações, enquanto que outras 527 companhias nacionais correm para fechar acordos e vendas com os potenciais compradores. O comentário de quem já foi é consensual: “Se no evento teste já falam em US$ 1 bilhão, imagine na Copa do Mundo”.

Raquel Salgado, presidente-executiva da Associação Brasileira de Exportadores e Importadores de Alimentos e Bebidas (Abba), foi uma das presenteadas com o jogo entre Brasil e México, disputado ontem na capital cearense. Sob suas asas, estavam executivos da cachaçaria Velho Barreiro e da Mococa Produtos Alimentícios. “O crescimento do relacionamento com compradores é visível. Até futebol de botão jogaram”, comenta Raquel.

A iniciativa da ApexBrasil é uma réplica das que já são realizadas no Carnaval e no Fórmula Indy. No espetáculo automobilístico, a agência leva empresários do mundo inteiro para todos os grandes prêmios da categoria. De acordo com ela, os resultados de todo o calendário da Fórmula Indy deverão ser alcançados com apenas 15 dias de Copa das Confederações, o que evidencia a importância do evento.

A meta para a Copa do Mundo é quadruplicar o número de negócios gerados na das Confederações, que é considerada um teste. “Na Copa, prevejo um incremento grande nas relações comerciais. Tenho certeza disso. Temos aqui um balão de ensaio para o evento principal”, anima-se Raquel.

Além da ousada meta, também chama atenção os custos da operação, que são rateadas entre a ApexBrasil e as 60 associações e câmaras de comércio que apoiaram o projeto. Somente os gastos com os estádios — foram disponibilizados camarotes para mais de 250 convidados — podem ultrapassar R$ 500 mil por jogo. As passagens e hospedagens também são custeadas pela iniciativa privada.

Há também contratempos. Nos camarotes, não pode ser oferecida uma cachaça, cerveja ou vinho nacional. Estão disponíveis apenas produtos dos patrocinadores da Fifa. Para isso, um jantar promocional no dia anterior aos jogos serve de vitrine para os artigos nacionais.

Na Câmara de Comércio Árabe Brasileira, uma das integrantes do projeto, há uma clara percepção de que a relação criada entre os empresários é até mais importante do que o valor financeiro movimentado durante a Copa das Confederações. Rafael Abdulmassih conta que a câmara empenhou um ano de trabalho para definir as empresas compradoras que viriam ao evento e para levantar o dinheiro que custearia o projeto. “Já levamos dois deles à inauguração, em Brasília. O tipo de relação que pode ser construído em um único evento pode demorar anos para ser feita de um modo tradicional”, afirma.

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