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Professor do Insper e cientista político diz que mercado reflete incertezas em relação a desdobramentos de manifestações

A onda de protestos que acontece em várias capitais do Brasil pela redução das tarifas de ônibus pode contribuir para aumentar o prêmio de risco do país se a situação for agravada. A opinião é do cientista político e professor do Instituto de Ensino e Pesquisa (Insper), Carlos Mello.

Protesto 'Se a tarifa aumentar São Paulo vai parar' contra o aumento das passagens de ônibus, trens e metrô, em São Paulo
Futura Press
Protesto 'Se a tarifa aumentar São Paulo vai parar' contra o aumento das passagens de ônibus, trens e metrô, em São Paulo

Para o professor, as manifestações refletem o aumento da insatisfação da população com a piora de vários indicadores da economia que lhe atingem diretamente, como o aumento da inflação e dos juros. Mas no mercado, por enquanto, não há reflexos claros das manifestações. Na semana passada, o risco brasil medido pelo índice Emerging Markets Bond Index (EMBI) chegou ao pico de 239 pontos básicos na terça-feira e caiu para 211 no dia 14, ou seja, no período em que as manifestações se alastraram e tomaram maiores proporções o risco país caiu.

Em outras regiões, entretanto, manifestações têm tido forte impacto no mercado financeiro, como na Turquia. No início de junho, a bolsa chegou a perder 10% de seu valor em um único dia em função dos protestos que tomam conta do país.

Segundo o professor do Insper, as manifestações no Brasil preocupam em função de aparentemente não terem terem comando único e não estarem vinculados unicamente à oposição. “ O mercado busca sempre a segurança e esses movimentos criam um ambiente de muita incerteza.”, afirmou o professor.

Assim como as bandeiras das manifestações são difusas, seus reflexos para imagem e atração de investimentos no país também não possuem uma tendência definida. Carlos Mello considera que as manifestações podem influenciar as análises das agências de risco para o rating do Brasil. No dia 6 deste mês, a Standard & Poor's alterou a perspectiva dos ratings de crédito soberano de longo prazo atribuídos ao Brasil, que tem grau de investimento, de estável para negativa.

A agência explicou que a perspectiva negativa reflete a probabilidade de, pelo menos uma em três, um rebaixamento em função do aumento na carga de endividamento do governo e uma erosão da estabilidade macroeconômica. Ontem, outra agência de classificação de risco, a FitchRatings informou que vai concluir sua revisão programada de ratings soberanos do Brasil antes do final de julho.

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