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Para Stéphane Larue, é preciso aproveitar o crescimento econômico do Brasil, fazendo os investimentos canadenses crescerem e abrindo as portas para investidores brasileiros

Agência Estado

Cônsul afirma que investimentos realizados pelos dois países têm crescido nos últimos anos
Getty Images
Cônsul afirma que investimentos realizados pelos dois países têm crescido nos últimos anos

O cônsul-geral do Canadá em São Paulo, Stéphane Larue, disse nesta terça-feira (18) que ampliar a relação comercial e de investimentos com o Brasil é uma das prioridades do país, atualmente. Apesar de o comércio bilateral ter somado pouco mais de US$ 6 bilhões em 2012, Larue citou que os investimentos diretos realizados tanto pelo Canadá como pelo Brasil têm crescido nos últimos anos. "Temos de aproveitar o crescimento econômico do Brasil, fazendo os investimentos canadenses crescerem por aqui e abrindo as portas para investidores brasileiros", afirmou, durante evento promovido pela Câmara de Comércio Brasil-Canadá (CCBC), em São Paulo.

De acordo com ele, empresas brasileiras investiram US$ 31 bilhões no Canadá em 2012, capitaneados por empresas como Vale, Votorantim e Ambev. Do outro lado, os canadenses investiram US$ 9,5 bilhões no Brasil no mesmo período, liderados especialmente por fundos de investimento institucional e indústrias de peças e componentes.

"Nós temos um novo fenômeno ocorrendo no Canadá, que são os fundos institucionais, e eles querem investir em outros locais. Os fundos de aposentadoria de Quebec, por exemplo, no ano passado investiram em um shopping no Rio de Janeiro", destacou. Apesar da perspectiva positiva da ampliação de negócios e investimentos mútuos entre Brasil e Canadá, Larue disse não ter estimativas de quanto essas relações devem aumentar nos próximos anos. "Não temos objetivo fixo de aumento do intercâmbio".

Acordo bilateral

O comércio entre Brasil e Canadá poderia aumentar em até 60%, em três anos, se fosse firmado um acordo de comércio bilateral entre os dois países, avaliou o diretor executivo da Câmara de Comércio Brasil-Canadá (CCBC), James Mohr-Bell. Segundo ele, o potencial de troca é de US$ 10 bilhões.

"O comércio tem crescido muito desde 2005, quando era de algo em torno de US$ 2 bilhões. Se não houver acordo, levará ao menos uns oito anos para atingir esse potencial de US$ 10 bilhões", afirmou.

De acordo com Mohr-Bell, as conversas sobre o acordo foram iniciadas em 2005 com os membros do Mercosul, já que o Brasil não pode negociar esse tipo de acordo sem a participação dos outros membros. Desde então, não avançaram muito. As últimas reuniões, lembrou, foram realizadas em dezembro de 2012. "Mas as questões políticas do bloco, como a suspensão do Paraguai e a entrada da Venezuela, travaram as negociações", comentou.

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Mohr-Bell citou estudo realizado pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex), em parceria com entidades setoriais, que enumera os setores da economia brasileira que têm interesse em vender ao Canadá: café, frango, frutas, sucos, vinho, rochas ornamentais e cerâmica, balas e doces, plástico, vidro, metal e iluminação e mel.

"Há interesse desses setores e espaço naquele país para absorver esses produtos", disse. "Além disso, entrar com esses produtos no Canadá significa ter acesso ao Nafta (México, Estados Unidos e Canadá) e desfrutar um mercado livre e aberto".

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