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Em entrevista ao GGN, a presidente destacou a importância do investimento em educação

Dilma espera que os investimentos sejam retomados no segundo semestre
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Dilma espera que os investimentos sejam retomados no segundo semestre

Em entrevista exclusiva a Luis Nassif, do portal colaborativo GGN – Jornal de Todos os Brasis –, a presidente Dilma Rousseff destacou que o momento é de preparar o País para as próximas duas décadas. 

"Nós vamos transformar o Brasil em um país rico, de classe média. Pessoalmente acho que essa herança ficará não apenas eliminando a pobreza, mas conseguindo uma educação de altíssima qualidade. Só a educação permite um ganho permanente, irreversível. Por isso defendo os royalties para educação", disse a presidente a Nassif.

Na sua avaliação, este tipo de investimento traz ganhos tanto no aspecto social quanto no aumento da competitividade do País. "Há um amplo investimento no Prouni [Programa Universidade para Todos], no FIES [Financiamento Estudantil], na ampliação das escolas técnicas, de universidades e novos campis. E na interiorização da educação. Levar a educação para o interior muda padrão de vida de toda uma região", defendeu a presidente.

Apesar dos esforços, disse Dilma, os analistas até agora não reconheceram a extensão do trabalho feito pelo governo na educação. "Financiamos R$ 1,5 bilhão para o Senai ampliar a formação de mão de obra. A Pronatec [Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego] da CNI [Confederação Nacional da Indústria] irá formar 8 milhões de trabalhadores até 2014. O MEC [Ministério da Educação] está entrando com recursos para formação de técnico para nível médio", afirmou em entrevista.

Marcos regulatórios

Além dos investimentos em educação, afirmou a presidente ao GGN, o governo tem feito um esforço para tirar do papel novos marcos regulatórios, o que deve ter um efeito significativo em uma nova onda de aportes de recursos privados. "No período Lula houve o marco do setor elétrico. Depois, o pré-sal. Como se sabia onde havia petróleo, com risco menor de prospecção, mudou-se a exploração para o sistema de partilha, para o país beneficiar-se o máximo possível da nova riqueza", disse Dilma.

"O marco regulatório dos portos é fundamental. No lançamento afirmei que seria a segunda abertura dos portos. A primeira, de Dom João VI, foi para o comércio com as nações amigas. A segunda, agora, é a abertura para o investimento privado. Há a necessidade de um padrão de eficiência compatível com a sofisticação industrial, agrícola e a extração de minérios", avaliou.

Dilma defendeu na entrevista que, no caso dos portos, é fundamente a ampliação dos terminais de uso privado, o que permitirá as exportações por meio de container, "sem reserva de mercado", o que, em última instância, ampliará a capacidade de comunicação do País com o exterior.

"Um de nossos principais atos foi o de desobstruir a infraestrutura. Todo mundo tem o direito de passar. Para não penalizar quem faz a infra, quem quiser passar paga o mesmo que o concessionária cobra de si próprio. A expansão dos portos abrirá um novo mundo, permitindo a integração com ferrovias, com o transporte aquaviário", disse.

Ganhos no campo

Ainda de acordo com a presidente, o governo tem agido no sentido de melhorar as condições para produtores rurais. "Lançamos recentemente uma política fundamental, a de armazenagem. Precisamos de 65 milhões de toneladas de capacidade instalada de armazéns. No último Plano de Safras, foram destinados R$ 136 bilhões para a agricultura comercial e R$ 21 bi para a familiar. Foram colocados R$ 5,5 bilhões, a 3% ao ano de juros e prazos de 15 anos, para a ampliação da rede de armazéns", explicou a presidente, que lembrou também da importância do trabalho da Embrapa, que além das pesquisas terá terá um reforço na assistência técnica.

Pré-sal

Além do potencial de atração de investimentos por meio dos novos marcos regulatórios, Dilma lembrou também que em outubro ocorre a próxima licitação do pré-sal. "Será licitado apenas um campo, o de Libra. Dentro da política da ANP [Agência Nacional de Petróleo], a Petrobras foi contratada para furar um poço. Fez a prospecção e constatou, inicialmente, uma capacidade potencial de 5 bilhões de barris equivalente de petróleo. Depois, pegaram os mapas de sísmica em 3D e enviaram para análises em Londres. Os últimos dados apontam para uma capacidade de 8 a 12 bilhões de bpe. É algo em torno de dois terços do total das reservas brasileiras descobertas em toda sua história", lembrou.

Concessões

Dilma também falou ao GGN sobre a lentidão para que as concessões deslanchem. Segundo a presidente, o País paga um preço de 20 anos com austeridade fiscal e baixa projeção econômica e de investimento. "As consequências foram a hipertrofia das estruturas de fiscalização em detrimento da execução. O funcionalismo fiscal tornou-se importante; o de execução perdeu status e incentivo. Esse fenômeno espalhou-se pelo setor privado, com os engenheiros de produção cedendo lugar aos engenheiros voltados para a área financeira e de gestão", afirmou.

A consequência, explicou a presidente, foi o desinteresse pelo setor. "Desapareceram as grandes empresas de consultoria de engenharia. O planejamento de longo prazo retornou ao País em 2007, com o primeiro PAC (Programa de Aceleração do Crescimento). Ninguém mais fazia projetos, nem a União, nem os estados nem a iniciativa privada estavam preparados para enfrentar o desafio. De lá para cá, houve expressiva mudança qualitativa. Hoje em dia União, estados e iniciativa privada estão mais aparelhados, as empresas de projetos são bem melhores, com impacto no ritmo das obras. Houve modificações nos sistemas de contratação, reduzindo o tempo, melhoria na capacidade de planejar.

A presidente avalia que na segunda metade do ano, "haverá um festival de licitações. Serão licitados 7.500 km de rodovias, aeroportos, ferrovias, o poço de Libra, gás em terra, armazéns, linhas de transmissão e geração e o TAV (Trem de Alta Velocidade). Os empresários internacionais já acordaram para isso".

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