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Após dois anos de estudos, a fabricante de aviões está preparada para revisar os E-Jets, com novas asas, aviônica atualizada, e motores turbo da Pratt & Whitney

Reuters

Os motores mais eficientes devem ajudar a Embraer a manter a liderança conquistada recentemente para o segmento de 70 a 120 assentos
BBC
Os motores mais eficientes devem ajudar a Embraer a manter a liderança conquistada recentemente para o segmento de 70 a 120 assentos

A brasileira Embraer, a terceira maior fabricante de aviões comerciais do mundo, vai para a Paris Air Show com crescentes expectativas para o lançamento de sua próxima geração de jatos regionais, que têm levado suas ações para perto das máximas de 5 anos.

O presidente-executivo da empresa, Frederico Curado, deve anunciar amanhã (17) planos para uma linha de jatos comerciais com novos motores entrando em serviço em 2018, segundo analistas. Após dois anos de estudos, a fabricante de aviões está preparada para revisar os E-Jets, com novas asas, aviônica atualizada, e motores turbo da Pratt & Whitney.

Os motores mais eficientes devem ajudar a Embraer a manter a liderança conquistada recentemente para o segmento de 70 a 120 assentos, afastando novos desafios como o Mitsubishi Regional Jet, e mantendo a pressão sobre versões menores do rival CSeries da Bombardier.

A grande questão é se a Embraer tem as encomendas para lançar sua nova linha com destaque. Na sexta-feira, a empresa anunciou a adição tardia de uma segunda coletiva de imprensa no evento sobre jatos comerciais, alimentando expectativas de que têm novidades para divulgar. A Embraer não quis comentar sobre a especulação.

"Na Paris Airshow você vai vê-los anunciando, provavelmente, os primeiros pedidos firmes para uma família completamente remotorizada de E-Jets", disse Richard Aboulafia, vice-presidente da consultoria de aviação Teal Group.

Leia mais: Embraer vai renovar seus E-Jets até 2018

A decisão da Embraer de defender seu nicho atual é "muito inteligente", disse Aboulafia. "O mercado não quer novas fuselagens ou novas aeronaves, quer novos motores."

As gigantes da indústria Airbus e Boeing Co abriram uma torrente de nova demanda nos últimos dois anos, com aeronaves re-motorizadas, elevando o nível de eficiência de combustível.

A canadense Bombardier, que competiu durante décadas com a Embraer no segmento de jatos regionais, tem como foco os CSeries de 110 a 130 lugares, mas contabiliza apenas 177 encomendas.

A Embraer também pode competir com o CSeries, elevando o número de assentos do maior E-Jet, o E-195, de 110 a 120 assentos para a faixa de 130 lugares – uma opção que a fabricante chegou a estudar.

A brasileira já colocou a Bombardier na defensiva recentemente com uma campanha agressiva de vendas entre companhias aéreas norte-americanas que renovam suas frotas de aviões regionais com até 76 assentos.

A Embraer tem obtido a maior parte desses contratos ao longo dos últimos sete meses, com 117 pedidos firmes da United Airlines e das operadoras regionais SkyWest e Republic Airways - além de opções adicionais de 247 jatos.

A demanda elevou a carteira de pedidos da Embraer após ter atingido uma mínima de 6 anos e alimentou um rali de 30% de suas ações na Bovespa neste ano, para seu nível mais alto desde o final de 2007.

Da Bombardier o único contrato importante dos EUA no mesmo período veio de um acordo de dezembro, com a Delta Air Lines, com 40 pedidos firmes e 30 opções para seus aviões CJR900.

É provável que a American Airlines assine o último grande contrato nessa categoria por um tempo, disse o presidente-executivo da Embraer à Reuters no mês passado.

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