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Desoneração de PIS e Cofins sobre produtos petroquímicos, em vigor desde o mês passado, deixou a situação da empresa menos dramática

Agência Estado

Unidade da petroquímica Unigel, a segunda maior do Brasil, em Camaçari
Divulgação
Unidade da petroquímica Unigel, a segunda maior do Brasil, em Camaçari

A desoneração de PIS e Cofins sobre produtos petroquímicos, em vigor desde o mês passado, pode dar novos rumos à Unigel. Segunda maior petroquímica do Brasil, atrás apenas da gigante Braskem, a companhia continua com dívidas elevadas e mantém a intenção de vender ativos, mas a redução de impostos deixou sua situação menos dramática.

A medida federal deve ajudar o grupo comandado pela família Slezynger a equilibrar as contas e retomar o plano de abrir o capital. "A indústria petroquímica é um ramo de margens baixas e a matéria-prima representa aproximadamente dois terços do preço de venda. Com uma redução de 8,25% nos custos, resolvemos nossos problemas mais prementes", afirmou o presidente da Unigel, Henri Slezynger.

O ganho de 8,25% citado por ele é resultado da redução de 9,25% para 1% na alíquota de PIS/Cofins de produtos como eteno e propeno. Esses insumos são utilizados na produção de acrílicos, estirênicos e embalagens plásticas, mercados nos quais a Unigel tem posição de destaque.

Leia mais: Unigel culpa crise por não abertura de capital em 2011

A redução da alíquota de PIS/Cofins sobre a compra de produtos petroquímicos trará um ganho anual de R$ 100 milhões à Unigel. O número, embora discreto quando comparado à redução de custos potencial da gigante Braskem, estimada em R$ 900 milhões anuais, é expressivo para a Unigel. Afinal, equivale a quase 4% do faturamento de R$ 2,6 bilhões da companhia em 2012 ou 3,3% da receita estimada de R$ 3 bilhões para este ano.

Slezynger não esconde que a Unigel enfrentou um momento delicado principalmente no final do ano passado. A alavancagem da Unigel, medida pela relação entre dívida líquida e Ebitda, bateu o patamar de seis vezes. O alto endividamento dificultou o acesso a crédito e deu origem a rumores de que a companhia estaria à venda, alternativa descartada por Slezynger. Já a venda de ativos específicos, porém, foi estudada e continua sendo prioritária.

Após engavetar o plano de realizar um IPO diante da crise na economia mundial e da desconfiança do mercado em relação a seu futuro, a companhia volta a analisar a opção de abrir o capital. "Acredito que, com três trimestres de resultados operacionais bons, ganhamos credibilidade no mercado", diz o vice-presidente da Unigel, Marc Slezynger, filho de Henri. "E nossa capitalização favorita seria o IPO", complementa o executivo. Inicialmente, a Unigel planejava abrir o capital em 2010.

No cenário ideal traçado por Marc, a abertura de capital da Unigel seria retomada em meados de 2014, quando a relação entre dívida líquida e Ebitda se encaminharia para um patamar de três vezes. Segundo ele, esse cronograma era impensável antes da desoneração anunciada pelo governo federal. 

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