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Potência instalada em todo o mundo até o final do ano é equivalente a 114 usinas nucleares

Reuters

Parque eólico da EDP em Altos de Voltaya, na Espanha
Divulgação
Parque eólico da EDP em Altos de Voltaya, na Espanha

O mundo terá turbinas eólicas suficientes para somar mais de 300 gigawatts (GW) de potência instalada – o equivalente a 114 usinas nucleares – até o final do ano, mostram números da indústria.

Apesar de Brasil, China, México e África do Sul estarem adicionando turbinas, o número representa crescimento modesto na comparação com um ano atrás, quando a capacidade total geral foi de pouco mais de 280 gigawatts.

"A capacidade instalada de energia eólica em todo o mundo deve ultrapassar 300 gigawatts este ano", disse Peter Sennekamp, diretor de mídia da Associação Europeia de Energia Eólica (EWEA, na sigla em inglês), citando dados compilados pela EWEA e pelo Conselho Global de Energia Eólica.

A Europa, que liderou o mundo na expansão da energia eólica, ainda representa cerca de um terço de toda a capacidade instalada, com mais de 100 gigawatts, mas o seu crescimento foi paralisado pela incerteza, já que a crise financeira significou em abruptas mudanças nos regimes de subsídios.

A Comissão Europeia apoia o equilíbrio dos subsídios em toda a União Europeia e disse que vai publicar orientações antes das férias de verão do hemisfério Norte, em agosto.

No entanto, as autoridades da UE não podem ditar aos Estados-membros que tipo de fontes de energia utilizam e como são financiadas.

O debate mais acalorado foi na Alemanha, antes das eleições, em setembro, onde o custo da energia e o progresso da implementação do Energiewende – ou da transição para a energia verde, abandonando o combustível nuclear – são questões eleitorais.

Leia mais: Energia eólica pode captar R$ 8 bilhões em dois anos

A indústria pesada atacou os subsídios concedidos para energias renováveis, argumentando que eles aumentam custos e prejudicam a competitividade, especialmente enquanto os Estados Unidos se beneficiam do barato gás de xisto.

Representantes da indústria de energias renováveis dizem que estão trabalhando para produzir energia economicamente e que possa competir com as fontes tradicionais, o que diminui o risco político.

Eles dizem que estão fazendo muito progresso com energia eólica onshore e sol, mas para ter grande escala da energia eólica offshore (no mar), uma tecnologia ainda em sua infância, os subsídios são essenciais, provavelmente para o resto da década.

"Vemos seis a sete projetos (no mar) em curso e, em depois, não há nada. Não há nenhuma decisão tomada pelos investidores", dissse Joerg Buddenberg, presidente-executivo da EWE Vertrieb, parte do alemão EWE Group , a jornalistas, referindo-se ao mercado em seu país.

Executivos do setor de energia eólica lembram que os combustíveis convencionais já se beneficiaram de apoio na forma de incentivos fiscais para petróleo e gás e o governo ajudou na eliminação de gastos com combustível nuclear.

Para marcar o Dia Mundial do Vento, em 15 de junho, os executivos estão chamando um de encontro líderes mundiais para conversações no G8, na próxima semana, para cumprir um compromisso de eliminar os subsídios aos combustíveis fósseis.

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