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Ao contrário de meses anteriores, comportamento dos preços no atacado não respondeu sozinho pela aceleração da inflação pelo Índice Geral de Preços 10 em junho

Agência Estado

Inflação pelo Índice Geral de Preços 10 (IGP-10) em junho subiu 0,63%
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Inflação pelo Índice Geral de Preços 10 (IGP-10) em junho subiu 0,63%

Ao contrário do que aconteceu em meses anteriores, o comportamento dos preços no atacado não respondeu sozinho pela aceleração da inflação pelo Índice Geral de Preços 10 (IGP-10) em junho, que subiu 0,63% após uma deflação de 0,09% em maio, mostram os indicadores que compõem o IGP-10. Houve uma contribuição forte da construção civil, cujos preços aceleraram 7,86%, ante alta de 7,01% em maio, puxado pelo reajuste de salários no setor em São Paulo, no Rio de Janeiro e em Brasília.

A valorização dos serviços de construção civil é pontual e não chega a indicar uma tendência na inflação, ao contrário do que ocorre com os alimentos. A alta de preços no atacado de produtos que fazem parte da alimentação típica das famílias brasileiras indica que, em breve, a inflação deverá corroer também o orçamento dos consumidores.

Estão mais caros, no atacado, os alimentos in natura (de -0,37% para 0,91%), como a batata inglesa (de 8,78% para 16,16%), destaque de aceleração no grupo; assim como a soja (de -0,40% para 9,61%); e o farelo de soja (de 0,75% para 14,12%), por causa de uma perspectiva de safra ruim do grão nos Estados Unidos.

Leia mais: Após recuar em maio, inflação medida pelo IGP-10 sobe 0,63% em junho

"O trigo (de -2,22% para 1,88%) é o que mais leva perigo para o varejo, por causa da sua capacidade de contaminação de preços pelos seus derivados", destacou o economista do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV), André Braz. E a inflação do arroz passou de -0,30% para 4,02%, devido a problemas com o clima na lavoura da região Sul do País.

A expectativa de Braz é de que, já ao longo deste mês, a alta de preços dos alimentos comece a contaminar o varejo. "Os preços da alimentação podem avançar um pouco mais ao longo do mês. Mas não acredito que irá disparar", disse o economista.

Por enquanto, a inflação dos alimentos para o consumidor final permanece desacelerando (de 0,57% para 0,41%). Após 12 meses ganhando ritmo, a inflação do arroz e do feijão, por exemplo, teve alta menos intensa neste mês, de 1,67%, ante 2,78% em maio. A carne de frango recuou 1,56% em junho, após queda de 1,52% em maio. E a inflação dos óleos e gorduras passaram de -1,79% para -2,58%.

Também contribuiu para a desaceleração do grupo a alimentação fora de casa (de 0,68% para 0,52%), após alta de 7,35% em maio, segundo o Ibre/FGV.

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