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Desvalorização do real gera aumento de custos para a Petrobras. Especialistas divergem sobre novos reajustes

Brasil Econômico

A desvalorização do Real coloca pressão sobre os preços dos combustíveis no Brasil e deve ter forte impacto nas finanças da Petrobras. Cálculos feitos por consultorias especializadas a pedido do Brasil Econômico indicam que a defasagem no preço da gasolina chega a 28,6%. No caso do diesel, a diferença entre o preço praticado pela estatal e a cotação norte-americana, usada como referência pela estatal, pode chegar a 15,8%. Analistas divergem com relação à possibilidade de novos reajustes ainda este ano.

Defasagem no preço da gasolina chega a 28,6%
Naiara Leão, iG Brasília
Defasagem no preço da gasolina chega a 28,6%

Os cálculos do preço dos combustíveis consideram a cotação do Golfo do México e a taxa de câmbio. Embora apontem números diferentes, o Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE) e a consultoria Tendências detectaram um aumento na diferença entre as cotações internacionais e o valor de venda pela Petrobras nas últimas semanas, em virtude da desvalorização do real. Usando como referência o fechamento de ontem , a Tendências calcula defasagem de 28,6% no preço da gasolina e de 15,8% no preço do diesel.

Para o CBIE, que calculou com base nas cotações do dia 10 de junho, a gasolina e o diesel vendidos pela Petrobras estão 17,6% e 14,5% mais baratos do que no mercado internacional. A consultoria aponta que subiu 7,8 pontos percentuais desde o dia 30 de abril, último mês com fechamento de câmbio a R$ 2 por dólar. No caso do diesel, a elevação foi de 8 pontos percentuais. “A Petrobras perde com a venda, no Brasil, de um produto que compra mais caro no exterior”, comenta o consultor Adriano Pires, do CBIE.

De fato, segundo suas contas, o litro da gasolina na região do Golfo do México custava o equivalente a R$ 1,627, ou R$ 0,28 acima do valor de venda pelas Petrobras. A diferença no preço do diesel era de R$ 0,28 por litro. De acordo com dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), a Petrobras vem importando, em 2013, uma média mensal de quase 500 milhões litros de gasolina e 1 bilhão de litros de diesel.

A diferença entre as cotações internacionais e o preço interno dos combustíveis foi a principal explicação para a queda de 36% no lucro da empresa em 2012: com o crescimento da demanda brasileira, sem aumento do parque nacional de refino, a solução foi buscar mais produtos no mercado internacional. No início do ano, com o objetivo de minimizar as perdas, o governo autorizou reajustes dos preços da gasolina e do diesel, em 6,6% e 5,4%, respectivamente. Em março, a empresa elevou novamente o preço do diesel, em 5%.

“A Petrobras já teve uma série de reajustes este ano e acho difícil que o governo autorize novo aumento”, comenta o analista de petróleo do BES Securities, Oswaldo Telles. “A empresa vai ter que torcer para o câmbio recuar”. Há grande preocupação com o impacto inflacionário de reajustes nos preços dos combustíveis - para minimizar este risco, o governo reduziu a carga tributária sobre a gasolina e o diesel quando autorizou os primeiros aumentos do ano.

“O cenário corrobora novo aumento nos preços ainda este ano”, discorda o analista da Tendências Walter de Vitto, que, mesmo esperando um recuo na cotação da moeda norte-americana para R$ 2,10 no final de 2013, projeta reajustes de 7,5% para os dois produtos em setembro. “O governo não deve deixar muito para o final do ano, para evitar contaminação do ano eleitoral”, argumenta o especialista.

Telles ressalta que, além do impacto nos custos dos combustíveis importados, a Petrobras deve sofrer com o impacto da desvalorização do Real em sua dívida. “A empresa tem uma posição exposta ao dólar muito grande”, afirma. Em seu balanço do primeiro trimestre, a companhia informou que 55% de sua dívida de R$ 196 bilhões estão atrelados à moeda norte-americana.

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