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Mercados fecharam em queda nesta sexta-feira, em meio a dados econômicos que não motivaram os investidores e um relatório desanimador do Fundo Monetário Internacional

Agência Estado

Corretor Daniel Trimble, ao centro, observa painel na Bolsa de Nova York
AP Photo/Richard Drew
Corretor Daniel Trimble, ao centro, observa painel na Bolsa de Nova York

As Bolsas de Nova York fecharam em queda nesta sexta-feira (14), em meio a dados econômicos dos Estados Unidos que não motivaram os investidores e um relatório desanimador do Fundo Monetário Internacional (FMI) sobre os EUA. O documento levou as Bolsas a se fixar em território negativo, após um início volátil. Também pesa sobre o mercado a cautela antes do anúncio de política monetária do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), na próxima quarta-feira (19).

Todos os índices recuaram mais de 1% na semana e sofreram a terceira queda semanal em quatro semanas. O índice Dow Jones perdeu 105,90 pontos (0,70%) e fechou a sessão a 15.070,18 pontos. Na semana, a desvalorização foi de 1,17%. O S&P 500 caiu 9,63 pontos (0,59%), para 1.626,73 pontos e encerrando a semana em queda de 1,01%. O Nasdaq recuou 21,81 pontos (0,63%), terminando a sessão a 3.423,56 pontos e a semana com baixa de 1,32%.

"Só quero ver como (Ben) Bernanke vai esclarecer as intenções do Fed", disse Wayne Lin, da Legg Mason Inc, em referência ao presidente do Fed.

Em relatório divulgado no fim da manhã, o FMI reduziu sua previsão de crescimento para os EUA em 2014, de 3% para 2,7%, e adentrou o acalorado debate sobre a continuação dos estímulos do Fed. A previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) para 2013 foi mantida em 1,9%, número que havia sido divulgado em abril na reunião de primavera da instituição.

No entanto, o crescimento previsto para este ano tem alguns condicionantes, de acordo com o relatório. Os técnicos do FMI alertam que levaram em conta que o Fed vai manter compras de ativos em "larga escala", pelo menos até o fim do ano, e que Washington vai chegar a um acordo para elevar o teto da dívida pública.

O FMI ainda criticou a política fiscal do país, mas elogiou a política monetária. Segundo o Fundo, os benefícios do relaxamento monetário do Fed ainda superam os custos, mas o banco central precisa enviar uma mensagem mais clara aos mercados.

A instituição se juntou a um debate que ganhou força na véspera, com o artigo de Jon Hilsenrath publicado pelo Wall Street Journal. No texto, o colunista, considerado um especialista em Fed, minimizou as preocupações com a estratégia do banco central norte-americano.

"Um ajuste no programa não significa que vai acabar de uma só vez, dizem as autoridades, e o mais importante ainda é que não significa que o Fed está perto de aumentar as taxas de juros de curto prazo", afirmou o artigo. "Os investidores não estão ouvindo isso", destacou.

O texto ajudou a restabelecer a calma nos negócios, especialmente com a menção feita por Hilsenrath de que o próprio Fed deu sinais de que a estratégia de saída não será repentina e pode contar com duas fases: redução do programa de compra de ativos e, depois, uma eventual elevação do juro.

Indicadores

Mais cedo, os números da economia dos EUA não foram motivadores. A produção industrial do país ficou estável em maio frente ao mês anterior, ante expectativa de aumento de 0,1%. O índice de sentimento do consumidor dos EUA caiu para 82,7 na leitura preliminar de junho, de 84,5 na leitura final de maio, ficando abaixo das expectativas de uma leitura de 84,0.

Também nesta manhã foi divulgado o índice de preços ao produtor (PPI, na sigla em inglês), que registrou alta de 0,5% em maio, a primeira em três meses. O número veio acima da projeção dos analistas, que esperavam aumento de apenas 0,1%.

No noticiário corporativo, as ações do Groupon avançaram 12% após upgrade de um analista do Deutsche Bank. Já a Time Warner ganhou 8,1% com rumores de que o Liberty Media Group possa estar interessado em comprar a Time Warner Cable.

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