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OGX, de Eike Batista, desaba 10% depois que empresário vende participação na companhia

Petrolífera de Eike teve a maior queda do pregão
George Magaraia
Petrolífera de Eike teve a maior queda do pregão

O índice referencial da bolsa paulista amargou seu quarto pregão seguido de queda nesta quarta-feira, fechando novamente no menor patamar desde agosto de 2011, pressionado pelo mau humor externo e por preocupações com a saúde da economia doméstica.

O Ibovespa perdeu 1,18%, a 49.180 pontos, segundo dados preliminares, no menor nível de fechamento desde agosto de 2011. O giro financeiro do pregão foi de R$ 8,21 bilhões. Na mínima da sessão, o Ibovespa chegou a cair 2,06%.

Com isso, o índice perdeu mais um suporte técnico, nos 49.400 pontos, tendo como próximo ponto de apoio os 47.800 pontos, segundo relatório do BB Investimentos.

Recuo das 'blue chips'

As blue chips pesavam no índice, com destaque para a petrolífera OGX, que afundou 11,11% por cento, a R$ 1,04.

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Segundo o sócio-diretor da Intrader Corretora, Anderson Luz, o fato do controlador Eike Batista ter reduzido sua participação na companhia azedou de vez o humor do mercado. "Se o próprio dono está se desfazendo das ações, provavelmente não é um bom negócio."

A fabricante de papel para embalagens Klabin também teve forte queda, após a companhia anunciar na noite da véspera que construirá sozinha nova fábrica no Paraná, o chamado Projeto Puma, e fará uma emissão R$ 1,7 bilhão em units para tocar o projeto.

"O projeto parece muito interessante do lado operacional, mas no curto prazo existe a pressão de aumento do endividamento, consumo de fluxo de caixa, além de uma oferta de papéis que acaba gerando diluição para os acionistas", disse Alves.

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Investidor mal acostumado

"Os investidores ficaram acostumados com o quadro de excesso de liquidez global e agora o clima é de pânico, por causa da possibilidade de que os bancos centrais comecem a diminuir os estímulos", disse o operador Luiz Roberto Monteiro, da Renascença Corretora.

"Mas além do exterior ruim, a Bovespa cai mais do que os outros mercados porque temos o agravante que é a intervenção do governo na economia", acrescentou Monteiro. O referencial norte-americano S&P 500 fechou em baixa de 0,84%.

A sessão na Bovespa foi instável, influenciada tanto pelo movimento de Wall Street quanto por ajustes para o vencimento de opções sobre o Ibovespa, além do vencimento de índice futuro na BM&F, segundo operadores.

Agentes também operaram sob a expectativa de que o governo brasileiro possa anunciar em breve novas medidas para fortalecer a situação fiscal do país.

Logo no início dos negócios, o Ibovespa chegou a subir 1,2% na máxima intradiária, esboçando recuperação após ter acumulado baixa de quase 6% nos três últimos pregões.

Mas o mercado não conseguiu sustentar a alta após a mudança de direção de Wall Street e migrou de vez para o campo negativo no início desta tarde.

"O mercado deve continuar volátil", disse o analista William Alves, da XP Investimentos.


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