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Moeda americana atinge maior patamar desde a crise e governo age para para conter alta

Mantega: mercado mudou e justifica corte na IOF
Agência Brasil
Mantega: mercado mudou e justifica corte na IOF

O mercado financeiro brasileiro viveu um dia de recordes, mas com pouco para comemorar. O dólar fechou o dia em R$ 2,15, uma barreira que não era quebrada desde o auge da crise financeira, em abril de 2009. Já o Ibovespa recuou 1,18%, para 49.180 pontos – o menor patamar desde 2011.

Os dois movimentos, entretanto, não foram surpreendentes. O dólar já vinha em trajetória de alta e a bolsa, em queda – foi o quatro pregão consecutivo de recuo.

No caso da moeda americana, o que ajudou a turbinar a alta foi a não-intervenção do Banco Central. Nos últimos dois dias, a instituição havia feito operações de swap cambial – o que equivale vender o dólar no mercado futuro. Nesta quarta-feira (12), entretanto, o BC ficou inerte mesmo com a cotação tendo chegado a R$ 2,1572 durante o dia.

No cenário externo, o real tem sofrido pressão em razão dos sinais de que o governo americano pode deixar de injetar dinheiro para estimular a economia, o que reduziria a oferta de liquidez no mercado internacional.

Governo age para conter a alta

Pouco mais de uma hora depois do fechamento do mercado, o ministro Guido Mantega veio a público anunciar uma nova medida para conter a valorização da moeda americana: a retirada do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) das operações com derivativos cambiais – títulos atrelados ao câmbio.

Foi o segundo corte no IOF com intuito de frear o dólar realizado neste mês. No dia 4 de junho, o governo já retirado o imposto dos investimentos estrangeiros em renda fixa. Desta vez, de acordo com Mantega, deixará de ser cobrada a alíquota de 1% sobre a posição vendida líquida (diferença entre posição vendida e posição comprada bruta).

"Em 2011, os aplicadores estavam vendidos e o dólar estava se desvalorizando e o real se valorizando", disse o ministro para justificar a medida. "Agora, o cenário mudou. Principalmente diante dessa acomodação do mercado cambial mundial. Estamos tendo, ao invés de desvalorização, valorização (do dólar)."

Com o resultado da valorização da moeda americana, os juros também subiram. Isso porque um dólar mais forte pressiona a inflação, o que, para investidores, pode levar o Comitê de Política Monetária (Copom) a acelerar a alta da taxa básica de juros, a Selic. Os contratos de DI com vencimento em janeiro de 2014 marcaram 8,77%, ante 8,70% na terça-feira (11), por exemplo.

Efeito Eike

A expectativa de que o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) e outros bancos centrais reduzam os estímulos às suas economias também pesou no Ibovespa. Durante o pregão, o índice da bolsa paulista chegou a registrar queda de 2,60%, mas fechou em 1,18% negativos. A queda acumluada nos três dias anteriores já chegava de 6%. Em junho, a queda já é de 8%.

Outro peso foram os desempenhos negativos de grandes empresas como a OGX, de Eike Batista. O empresário se desfez de ações de sua companhia e ajudou as ações caírem 11,1% no pregão – a queda mais expressiva do dia.

Já a gigante da celulose Klabin foi punida pelos investidores depois de anunciar que terá de bancar, sozinha – mas com ajuda do BNDES – a construção de uma fábrica no Paraná estimada em R$ 6,8 bilhões.

*Com informações da Agência Reuters e da Agência Estado

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