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Economistas buscam responsáveis pelo desepenho fraco da economia. Mantega e Tombini estão na linha de tiro, mas críticas também miram estilo centralizador da presidente Dilma

Brasil Econômico

Ministro da Fazenda, Guido Mantega
Agência Brasil
Ministro da Fazenda, Guido Mantega

O desempenho pouco alentador da economia brasileira em 2013 está começando a testar a paciência de muitos políticos e empresários com o governo e sua equipe econômica. Antes que consumidores ou eleitores também desistam de esperar por um crescimento semelhante à época do presidente Lula, economistas buscam um culpado pelas más notícias.

Entre os principais questionados estão o ministro da Fazenda, Guido Mantega, e o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini. No entanto, o argumento de que a Presidente Dilma Rousseff é demasiadamente centralizadora prevalece entre os entrevistados pelo Brasil Econômico . Embora a busca por culpados ainda seja inconclusiva, eles concordam que mudanças precisam acontecer, ou no modelo de gestão, ou no quadro de gestores.

Presidenta Dilma Rousseff
Agência Brasil
Presidenta Dilma Rousseff

Dois ex-ministros da Fazenda, Marcílio Moreira Marques e Rubens Ricupero, atacam a gestão fiscal do governo. Segundo eles, essa é o principal causa dos desequilíbrios econômicos que geram inflação e desestruturam as bases para o crescimento. Moreira Marques, inclusive, diz que a relação entre governo federal e iniciativa privada, ponto forte do governo Lula, começou a azedar antes mesmo da eleição de Dilma Rousseff.

Já na capitalização da Petrobras, diz ele, de forma bem crítica, investidores ficaram ressabiados com uma “contabilidade criativa” presente na oferta pública de ações da estatal: “Contabilizaram barris de petróleo a 7 mil metros de profundidade e que só seriam retirados no futuro como exploráveis no presente. Foi um marco da contabilidade criativa”.

Desde então, continua Moreira Marques, a interpretação dos números se tornou uma prática. No Ministério da Fazenda, no último ano, críticas surgiram após o governo incorporar os investimentos feitos no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) ao superávit primário. Com o incremento, o governo afirmou que havia alcançado a meta de economizar 3,1% do Produto Interno Bruto (PIB). “A credibilidade foi desgastada. Há uma concepção econômica fantasiosa na equipe econômica”, critica.

Já Ricupero diz não entender a contradição entre política fiscal e monetária. Enquanto o Tesouro Nacional abre a torneira para todas as iniciativas do governo, inclusive para aprovar emendas que empacam no Congresso Nacional, o Banco Central voltou a enxugar o excesso de dinheiro.

O ex-ministro culpa Dilma Rousseff pela incoerência e pela saída de Nelson Barbosa, secretário-executivo, do Ministério. “A perda de espaço do Nelson Barbosa para o Arno Augustin (secretário do Tesouro) mostra que a Dilma continua com planos de política fiscal expansionista. Se houver tempo, ela será obrigada a mudar de posição”, avalia Ricupero.

Embora Alexandre Tombini agrade à maioria dos entrevistados, uma possível politização do Banco Central é temida. Segundo Maria Cristina Mendonça de Barros, sócia da consultoria MB Associados, o recente aumento da Selic de 7,5% para 8% ao ano também é fruto desSa influência. “O que está por trás desse aumento é a conta do supermercado, que bateu na popularidade da presidente. Quando 80% das pessoas dizem sentir os efeitos da inflação, é a percepção do eleitor que está em jogo”, afirma.

A relação entre BC e presidência já até rende boatos sobre uma futura dança das cadeiras. Com “prazo de validade vencido”, Mantega daria lugar a Tombini no Ministério, segundo a economista. “É um momento delicado para o ministro e para Tombini.”

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