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Infraestrutura ruim, impostos e empresariado 'mal acostumado' limitam trocas, diz diplomata

Castro Neves, presidente do Cebri
Divulgação/Cebri
Castro Neves, presidente do Cebri

As dificuldades na relação comercial Brasil-Estados Unidos, hoje, estão dentro das fronteiras brasileiras: infraestrutura deficiente, carga tributária elevada e empresariado pouco acostumado a disputar o mercado externo. Ou seja, na falta de competitividade brasileira, avalia Luiz Augusto Castro Neves, reeleito presidente do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri), em entrevista ao iG .

“O acesso ao mercado americano é relativamente fácil. A sobretaxa sobre o etanol [ aplicada sobre o produto brasileiro ] foi eliminada [ em 2011 ] e o Brasil venceu a disputa sobre [ os subsídios do governo americano ao ] algodão na Organização Mundial do Comércio. O problema é a competitividade brasileira”, diz o diplomata, que faz palestra nesta terça-feira (11) no 3º Fórum Brasil-Estados Unidos, no Rio. “E sem competitividade não dá para ter uma postura mais agressiva.”

Segunda maior economia do hemisfério, o Brasil foi, em 2012, o terceiro maior fornecedor dos EUA no continente americano, atrás de México e Venezuela, segundo dados sem ajuste sazonal do Censo americano. De janeiro a abril de 2013, o valor exportado em bens caiu 30% na comparação com o mesmo período do ano passado, de US$ 11,9 bilhões para US$ 8,3 bilhões.

Além disso, o Brasil respondeu em 2012 por apenas 10% das compras americanas de produtos com alta tecnologia feitas nas Américas do Sul e Central – e 0,3% das realizadas em todo o mundo.

“Os problemas são de natureza interna: alta carga tributária, infraestrutura que deixa desejar, lei trabalhista antiquada e burocracia para poder exportar”, diz o presidente do Cebri, cujo presidente de honra é Fernando Henrique Cardoso

Para o diplomata, entretanto, o empresariado brasileiro tem sua parcela de culpa.

“Somos muito fechados e voltados para nós mesmos. E o empresariado de certa maneira refelte isso, à exceção de um empresariado mais moderno e inserido nas cadeias produtivas internacionais como a Embraer ou Vale”, diz o Castro Neves. “Agora, há um segmento do empresariado formado na época de substituição de importações com direito a reserva de mercado, crédito subsidiado do BNDES e forte protecionismos tarifário para evitar a concorrência externa, que está muito pouco habituado a competir.”

Interesse renovado

Os EUA têm dado sinais de um interesse renovado pela região e pelo Brasil. Em visita ao Rio e Brasília em maio, o vice-presidente americano, Joe Biden, declarou que os dois países podem multiplicar o comércio bilateral por sete. A presidente Dilma Rousseff visitará seu homólogo americano, Barack Obama, em outubro.

A baixa competitividade brasileira, entretanto, pode limitar as possibilidades abertas por esse novo flerte de Washington com o Sul. Uma situação agravada por iniciativas como a Aliança do Pacífico – formada por Chile, Colômbia, México e Peru –, avalia Castro Neves.

“Na medida em que os demais países formam alianças comerciais e de investimentos e se tornam mais competitivos, se o Brasil não fizer o mesmo vai ficar menos competitivo, vai perder mercado não só nos EUA, mas em outros mercados também.”

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