Tamanho do texto

Redes precisam abrir mão de taxa e aceitar franqueado da comunidade para integrar projeto

O shopping center que Celso Athayde, criador da Central Única de Favelas (Cufa), pretende inaugurar no Complexo do Alemão (RJ) ainda neste ano já tem 61 franquias "acordadas" para se instalar no empreendimento, segundo ele. Para participar do projeto, as redes precisam abrir mão da taxa de franquia, que varia entre R$ 150 mil e R$ 200 mil, além de ter como franqueado um morador da comunidade. O shopping terá 500 lojas e será o primeiro em uma favela – e o primeiro de uma série de outros que o empreendedor deve abrir em áreas carentes de diversos estados brasileiros.

Vista aérea do Complexo do Alemão: shopping na região deve gerar 6 mil empregos diretos
Getty Images
Vista aérea do Complexo do Alemão: shopping na região deve gerar 6 mil empregos diretos

As marcas não podem ser divulgadas – nem os contratos assinados – porque o Favela Shopping ainda depende de acordos com prefeitura e governo, diz Athayde. "Nos próximos dez dias esperamos que saia a desapropriação da área [ uma fábrica abandonada ] e em 30 dias devemos poder fazer as licitações", explica. Após o início das obras, a previsão é de que o shopping seja inaugurado em seis meses.

- Mais: moradores de favelas do País têm renda de R$ 56 bilhões por ano, diz estudo

O produtor cultural afirma que tem acordo com o governo para que a área, de 15 mil metros quadrados, seja cedida ao projeto após a desapropriação. Em troca, o Favela Shopping vai criar cerca de 6 mil empregos diretos e 4 mil indiretos. "A fábrica está desativada há muito tempo, não paga IPTU, está cheia de mosquitos. O Estado vai desapropriar e ceder", diz.

As franquias que já aderiram ao projeto, segundo Athayde, foram atraídas por meio de contatos de seu sócio no empreendimento, Elias Tergilene, dono da rede de shoppings UAI, que opera principalmente em Minas Gerais. "Temos marcas fortes, algumas das franquias mais populares do País", diz Athayde.

A Fundação Dom Cabral também participa do projeto por meio da capacitação de moradores para que administrem as franquias após a inauguração do shopping. A ideia é que 60% das lojas do shopping sejam franquias administradas por moradores e 100% dos funcionários do empreendimento também sejam da comunidade. "Mas não vou engessar as coisas", diz Athayde.

"As marcas vão abrir mão da taxa no início, mas depois vão ter acesso a um mercado no qual sabem que precisam estar", afirma. Os moradores das favelas brasileiras têm renda total de cerca de R$ 56 bilhões por ano, pouco menos que o Produto Interno Bruto (PIB) da Bolívia no ano passado, segundo estudo do Data Favela, parceria entre Celso Athayde e o instituto Data Popular.

Parte do investimento no projeto deve vir de recursos próprios, e parte do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). "Vou agora para a Colômbia num encontro com o BID, que já está com toda a documentação para financiar a construção", diz Athayde. O produtor estima entre R$ 25 milhões e R$ 40 milhões o custo de construção de cada shopping da iniciativa.

O projeto Favela Shopping pretende inaugurar seis empreendimentos do tipo no Rio de Janeiro – os outros ficam em Cidade de Deus, Acari, Maré, Jacarezinho e Vila Vintém. "Em quatro deles já estamos em fase de desapropriação e na Maré já estamos começando a construir", diz Athayde. Existem ainda projetos fora do Rio de Janeiro, como um na favela de Lagamar, no Ceará. "Todos reaproveitam fábricas e outras construções abandonadas, para diminuir os custos", afirma.


    Leia tudo sobre: Empreendedorismo
    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.