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Plano de negócios de R$ 502 bilhões inclui retomada a confiança de investidores com aumento da produção e redução da dependência da importação de derivados

Refinaria de Pasadena
Divulgação
Refinaria de Pasadena

A Petrobras planeja ampliar seus parques de refino até 2017 para reduzir a dependência da importação de derivados do petróleo, que pesa negativamente nos resultados da estatal. A estratégia faz parte do plano de negócios de US$ 236,7 bilhões (R$ 502,9 bilhões) para reduzir as perdas financeiras e voltar a crescer no mercado de ações, afirmou o diretor de Relações com Investidores (RI) da empresa, Hélder Moreira Leite, durante seminário para acionistas na noite de ontem (5), em São Paulo.

“O consumo per capita de derivados [do petróleo] tem sido crescente em países emergentes como o Brasil, enquanto tem caído nas nações desenvolvidas. A projeção é de que essa tendência persista nos próximos anos”, explicou o executivo da estatal.

A capacidade de refino da companhia – que transforma óleo bruto em produtos para o consumo final – está em torno de 26% de sua estrutura total. O restante é voltado para a exploração e a produção da commodity em 26 países. Assim, a empresa precisa exportar a matéria-prima para refinarias de outros países, amargando o alto custo da importação de derivados, que é repassada a preços mais altos que a revenda no consumo interno.

No primeiro trimestre do ano, a companhia – que domina 90% das reservas no País – registrou um lucro 17% menor ante mesmo período de 2012, de R$ 7,7 bilhões. No segundo semestre de 2012, a Petrobras reportou um prejuízo líquido de R$ 1,346 bilhão, comparado ao lucro líquido de R$ 10,943 bilhões em igual período de 2011.

Outro plano da empresa para retomar o crescimento é aumentar a produção para 2,5 milhões de barris de petróleo por dia até 2016. Atualmente, a estatal produz dois milhões de unidades, com esforço, segundo Moreira Leite. “Até 2020, a intenção é dobrar a produção para 4,2 milhões de barris”.

Mercado de ações

Para ampliar os investimentos, contudo, a companhia precisa desenvolver novas tecnologias, que dependem de recursos que financiem os projetos. Dessa forma, necessita recuperar a confiança dos investidores no mercado de capitais, abalada nos últimos meses.

Os papéis da empresa, que hoje tem valor de mercado de aproximadamente R$ 120 bilhões, sofreram uma queda acumulada de 50% entre novembro de 2012 e fevereiro deste ano, apesar de ter dado sinais de recuperação. Nos últimos quatro meses, as ações subiram cerca de 14%: o preço do papel valia R$ 16,93 no dia 6 de fevereiro, e R$ 19,42 nesta última quarta-feira (05).

Cerca de um terço do capital da empresa está nas mãos de investidores estrangeiros, enquanto 20% pertencem a acionistas brasileiros (pessoas físicas e jurídicas). Outros 48% são controlados pelo governo.

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