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Cerca de 7 mil pessoas se juntaram a uma passeata, em princípio pacífica, em Frankfurt

Reuters

Confronto entre manifestantes e polícia
Associated Press
Confronto entre manifestantes e polícia

A polícia alemã usou gás de pimenta e bastões contra os manifestantes anti-capitalismo do movimento Blockupy neste sábado (1º), segundo dia de protestos contra as políticas de austeridade da Europa.

Cerca de 7 mil manifestantes se juntaram para uma passeata a princípio pacífica por Frankfurt, a capital financeira da Alemanha. Muitos empunhavam cartazes com frases como "Faça amor, não guerra" e "FMI – saia da Grécia".

Mas pequenos grupos de mascarados atiraram pedras e bombas de fumaça contra a polícia, que reagiu com força. Vários manifestantes e policiais foram feridos.

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Protestos contra a troika de credores internacionais que tem financiado Estados da zona do euro em dificuldade – Fundo Monetário Internacional (FMI), Banco Central Europeu (BCE) e União Europeia – foram planejados em vários países neste sábado (1º).

Um primeiro dia de passeatas em Frankfurt na sexta-feira (31) conseguiu paralisar algumas das instituições financeiras da cidade, cortando o acesso à emblemática torre do BCE e à sede do Deutsche Bank.

A polícia enfureceu os manifestantes no sábado (31) ao deter a passeata antes que pudesse passar perto do prédio do BCE, depois que eles acenderam fogos de artifício. Em comunicado, o Blockupy acusou a polícia de desejar uma "escalada" nas tensões e de impedir um protesto legítimo.

"Isto é escandaloso", disse a porta-voz Ani Diesselmann. "O itinerário ( original ) foi aprovado por várias instituições legais".

A polícia disse que seus membros foram atacados repetidamente pelo pequeno grupo, tornando necessário usar a força e o gás de pimenta.

O movimento europeu Blockupy foi formado em 2011 após o Ocupe Wall Street, dos Estados Unidos.

O grupo culpa os cortes orçamentários e as reformas no mercado de trabalho apoiados pelo BCE, FMI e líderes financeiras e políticos europeus por mergulhar o continente em uma recessão que deixou mais de um quarto dos gregos e dos espanhóis sem emprego e milhões de pobres europeus em situação ainda pior.

Arame farpado em frente ao Banco Central Europeu
Associated Press
Arame farpado em frente ao Banco Central Europeu

"Esta é uma boa oportunidade (para protestar). O desemprego entre os jovens é muito importante no momento", disse Antonia Proka, de 25 anos, uma grega que atualmente mora na Holanda. "Tenho muitos amigos alemães que não encontram trabalho, então os problemas são os mesmos, estamos do mesmo lado", afirmou.

Enquanto mais da metade dos gregos e dos espanhóis abaixo dos 25 anos estão sem emprego, só oito por cento dos alemães e austríacos da mesma idade estão sem trabalho.

Governos com grandes dívidas cortaram gastos e aumentaram impostos, aprofundando a recessão por toda a zona do euro, enquanto muitas famílias estão enterradas em dívidas ou perderam suas casas depois do estouro de bolhas imobiliárias.

A economia da própria Alemanha tem resistido bem à crise, e muitas pessoas nos países do sul da Europa, em dificuldades, culpam a primeira-ministra alemã, Angela Merkel, de aplicar as dolorosas políticas em troca de fundos da UE, que vêm em grande parte dos cofres alemães.

Além do BCE, na sexta-feira (31) os manifestantes do Blockupy miraram vários bancos comerciais, lojas e o aeroporto de Frankfurt.


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