Tamanho do texto

Decisão foi unânime e 'deve contribuir para colocar a inflação em declínio', diz comitê

O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini
Elza Fiúza/ABr
O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu aumentar a taxa básica de juros – a Selic – de 7,5% para 8% ao ano. O motivo, segundo nota, foi a inflação, que tem sido motivo de preocupação da equipe econômica nos últimos meses.

"O Comitê avalia que essa decisão contribuirá para colocar a inflação em declínio e assegurar que essa tendência persista no próximo ano", disse a nota.

A decisão foi tomada por unanimidade. Na reunião anterior, em 17 de abril, dois  dos oito integrantes do comitê votaram pela manutenção da taxa em 7,25% ao ano.

A alta, a segunda consecutiva, ocorre no mesmo dia em que foi divulgado que  economia brasileira cresceu abaixo do esperado no primeiro trimestre de 2013 . Na comparação com os três últimos meses de 2012, o Produto Interno Brasileiro (PIB) subiu 0,6%. O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), considerado uma prévia do PIB, havia indicado um aumento de 1,05% para o período.

O consumo das famílias, que responde por 65% do PIB tende a ser afetado negativamente quando os juros sobem, subiu apenas 0,1%.

Em alta

Evolução da taxa Selic

Gerando gráfico...
Banco Central


Inflação

Na reunião de abril, o comitê já havia indicado que a inflação preocupava não só pelo índice como pela dispersão – ou seja, pela quantidade de itens que registravam alta. Ainda assim, havia uma aposta de que "incertezas" na economia do Brasil mas, principalmente, no cenário externo reduziria a pressão sobre os preços.

A inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fechou abril em 7,16% no acumulado de 12 meses. Isso coloca o governo, que trabalha com uma meta de 6,5% para o acumulado de janeiro a dezembro de 2013, em estado de atenção.

Em abril, entretanto, o IPCA – índice oficial usado pelo governo – já deu sinais de ceder e registrou 0,59%, abaixo dos 0,60% de março. 

A Selic é estabelecida pelo Banco Central e serve como base para os juros cobrados no mercado. As taxas para o consumidor são bem maiores.

Reação do mercado

Em nota, a Força Sindical avaliou que a decisão do Copom "decisão acende o sinal de alerta para os trabalhadores porque, embora os índices mostrem bom nível de emprego, elevar a taxa Selic contribuirá para a redução de investimentos no setor produtivo, obrigando o governo a pagar mais juros para investidores."

Ao contrário da Força Sindical, a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) apoiou a decisão do Copom. "O BC acertou duplamente ao elevar a Selic em 0,5 ponto porcentual: indicou atenção ao patamar atual e à trajetória da inflação e cautela em promover um ajuste gradual da taxa", afirmou, em nota.

Por meio de comunicado, Egito Frota Lopes Filho, presidente da Associação Brasileira de Atacadistas e Distribuidores de Produtos Industrializados (ABAD), afirma esperar que a nova alta da Selic "não venha a retrair ainda mais a economia, hoje movida pelo consumo interno".