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Empresário critica sócio francês por venda do Audax, clube do Pão de Açúcar; concretização do negócio é espécie de afastamento simbólico do fundador da rede varejista

Martins (dir.), do Audax-SP, comemora gol
Gazeta Press
Martins (dir.), do Audax-SP, comemora gol

Sócios, mas com rusgas dignas de velhos adversários das quatro linhas, Abilio Diniz e Casino agora se enfrentam por causa do futebol. Nesta quarta-feira (22), o empresário atacou o sócio francês pela decisão de vender o Audax, clube de futebol que surgiu como um projeto social da rede varejista, revelou o jogador Paulinho, do Corinthians, e chegou às primeiras divisões dos campeonatos Paulista e Carioca.

Pelo Twitter, Diniz considerou lamentável a disposição do Casino de se desfazer do clube, que considera ser o maior programa social do Grupo Pão de Açúcar (GPA). 

"Lamento a decisão do Casino de colocar à venda o Audax, um projeto vitorioso com uma história única", escreveu. "Começou como projeto social e chegou às primeiras divisões do campeonato carioca e paulista sem perder este foco na formação de cidadãos."

O Casino, controlador do GPA, não comentou, mas confirmou a intenção de se desafazer do clube.

Criado há cerca de dez anos, o Audax tem uma receita anual de R$ 3 milhões com venda de jogadores, número que deve ser turbinado com a possível venda de Paulinho. O clube detém 50% dos direitos econômicos do volante, cujo passe é estimado em R$ 18 milhões.  

A ascensão à elite do Campeonato Paulista, conquistada em 2013, irá render outros R$ 2,2 milhões ao clube, pagos pela Federação Paulista de Futebol, segundo a assessoria do empresário. No Rio, o Audax-RJ chegou à primeira divisão em 2013.

No Casino, a avaliação é que o bom momento do clube mostra que já não se trata de um projeto social e, além disso, cria as condições favoráveis para a sua venda.

Afastamento simbólico

A concretização do negócio significará uma vitória simbólica do Casino em sua luta para afastar Diniz, o ex-controlador do Pão de Açúcar, do comando do GPA. O sócio francês já pediu, em pelo menos três ocasiões, que o empresário renuncie ao cargo de presidente do Conselho de Administração da companhia. 

A eleição de Diniz para a presidência do Conselho de Administração da BRF, em abril, acirrou os ânimos. O Casino argumenta que o acúmulo de funções contraria os interesses do GPA, já que a BRF é uma importante fornecedora do grupo. No início do mês, os franceses fizeram um pedido arbitral contra Diniz à divisão brasileira da Câmara de Comércio Internacional (CCI).

Os dois lados também se enfrentaram neste mês por causa da Via Varejo, da qual o GPA tem 52,4% das ações. Por carta, Diniz questionou o Casino sobre uma suposta disposição da família Klein, detentora de outros 47%, de comprar o controle da rede de eletrodomésticos. O Casino respondeu que o empresário não tinha direito de solicitar a confirmação ou negação de rumores.

No dia 13 de maio, a família Klein acabou por anunciar a venda de um terço de suas ações na Via Varejo.