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Foram libertados 29 bolivianos; Grupo GEP, dono das marcas, foi multado em R$ 1,1 milhão

Modelo da Cori durante desfile no SPFW
Divulgação
Modelo da Cori durante desfile no SPFW

Um grupo de 29 bolivianos foi encontrado em condições análogas à escravidão em uma confecção que fornecia roupas para o Grupo GEP, dono das marcas Cori, Luigi Bertolli e Emme. A empresa diz desconhecer o fato, o que foi reconhecido pelo Ministério Público do Trabalho em São Paulo.

O responsável pela confecção, localizada em São Paulo, exigia dos trabalhadores o pagamento de dívidas referentes a alimentação, alojamento e supostos gastos com o visto brasileiro, segundo a Procuradoria Regional do Trabalho da 2ª Região. Eles recebiam entre R$ 0,80 a R$ 4,50 por peça produzida.

Os operários moravam e trabalhavam no mesmo local e não tinham água potável, informou a Procuradoria. Segundo a ONG Repórter Brasil, que acompanhou a fiscalização, havia alimentos armazenados junto com produtos de limpeza. Num ambiente repleto de tecidos, os fiscais encontraram extintores de incêndio vencidos, fiação exposta e botijões de gás acondicionados de forma inapropriada. 

Segundo a Repórter Brasil, foram encontradas peças de roupa da Emme e da Luigi Bertolli.

A descoberta ocorreu na última terça-feira (19), numa fiscalização realizada uma força-tarefa da qual fizeram parte membros da Procuradoria do Trabalho, da Justiça do Trabalho, da Receita Federal, da Secretaria de Justiça e Defesa da Cidadania do Estado e Ministério Público do Estado. 

A confecção comercializava as peças para uma fornecedora regular contratada pelo Grupo GEP. A Cori apresentou nesta semana a coleção para o Verão 2014 no SPFW, a semana de moda de São Paulo.

Indenização de R$ 1,1 milhão

O GEP foi autuada em R$ 50 mil por irregularidade encontrada e R$ 5 mil por trabalhador afetado. Ao todo, segundo a procuradoria, as indenizações somam R$ 1,1 milhão. Em média, cada operário receberá R$ 23 mil, e outra parcela das multas – R$ 450 mil – será repassada ao Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), ao Projeto de Erradicação do Trabalho Escravo Urbano e a uma ONG que preste serviço a imigrantes;

No Termo de Compromisso de Ajustamento de Conduta (TAC), o grupo também se compromete a respeitar a legislação trabalhista.

Em nota, o GEP se disse "surpreendido" com a denúncia da prática, "totalmente desconhecida para a empresa" e disse repudiar o trabalho irregular. O grupo argumenta que sempre contrata fornecedores homologados pela Associação Brasileira de Varejo Têxtil (ABVTEX). O órgão, entretanto, esclare que a confecção que havia subcontratado os operários encontrados em regime de escravidão não possui a certificação de fornecedores ABVTEX.