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Desempenho é o pior desde 2009; no último trimestre do ano, alta foi de 0,6%

A economia brasileira cresceu 0,9% em 2012, com ajuste sazonal, menos do que o 1,35% que o Banco Central projetara na semana passada. É o pior resultado desde 2009. De outubro a dezembro, a variação do PIB foi de 0,6% em relação ao trimestre anterior (julho a setembro). Em todo o ano passado, a riqueza produzida pelo País somou R$ 4,403 trilhões. 

O setor de serviços foi o único a apresentar crescimento em 2012, com alta de 1,7% no acumulado do ano. A indústria recuou 0,8% e a agropecuária, 2,3%.

O resultado de 0,6% no último trimestre sugere uma leve recuperação da economia brasileira ao longo do ano (veja gráfico). Foi  o melhor resultado trimestral de 2012.

O ministro Guido Mantega admitiu que o resultado veio baixo do esperado , mas comemorou o que chamou de sinais "nítidos" de recuperação da economia no final do ano e disse que a trajetória é de elevação.

Em comparação com os três últimos meses  de 2011, o PIB cresceu 1,4%. Os serviços, nessa comparação, tiveram seu desempenho mais positivo de 2012, avançando 2,2%. A indústria, que vinha de dois trimestres negativos, cresceu 0,1% – a mesma variação registrada nos primeiros três meses de 2012. A agropecuária teve queda de 7,5%.

O resultado de 2012 mantém o Brasil na lanterna dos Brics , grupo de economias emergentes que reúne também Rússia, Índia e China.

Veja mais: PIB deve elevar salário mínimo para cerca de R$ 725 em 2014, diz Dieese

Para o economista-chefe da MB Associados, Sergio Valle, a economia parece estar retomando o fôlego, e os cenários ruins na agropecuária e na indústria não devem se repetir em 2013.

"Temos tido recuperação em todos os componentes do PIB. Do lado da oferta, os melhores resultados (em 2013) devem ser da indústria – o setor de automóveis em recuperação –, e a agropecuária, que não deve repetir o desempenho negativo de 2012. Teremos uma supersafra, que será favorável", diz Valle ao iG.

Variação

Veja o desempenho do PIB nos últimos 10 anos

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Fonte: IBGE

“Embora não tenha sido suficiente para salvar o fim do ano, um crescimento de 0,8% a 1% no 4º trimestre já significa um ritmo anualizado na faixa de 3 a 4%, o que é um número já bem mais forte do que nos cinco trimestres anteriores, quando a economia praticamente andou de lado”, diz Bráulio Borges, economista-chefe da área de macroeconomia da LCA Consultores, que apostara num crescimento de 1,8% nos três últimos meses de 2012 e de 1% no acumulado do ano.

Na sua mensagem ao Congresso no início do ano, a presidente Dilma Rousseff havia dito que o crescimento do PIB em 2012 ficara aquém do esperado. Já o ministro Guido Mantega, em dezembro, considerava que no cenário pessimista a economia cresceria 0,8% no último trimestre do ano passado.

Esperança de retomada

Veja a variação trimestral do PIB ao longo de 2012

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Fonte: IBGE


Mais consumo, suspiro do investimento

O consumo das famílias registrou alta de 3,1% em 2012 ante 2011, segundo o IBGE. No 4º trimestre, em comparação com o terceiro trimestre de 2012, houve avanço de 1,2%. Na comparação com mesmo período de 2011, o consumo das famílias aumentou 3,9% no quarto trimestre de 2012.

Já o investimento também deu sinais de retomada no último trimestre do ano, embora tenha terminado no vermelho. A Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), que mede a ampliação da capacidade produtiva do País, teve a primeira alta depois de quatro trimestres de queda, crescendo 0,5%. 

Borges, da LCA, chama a atenção para o fato de que as consultas ao BNDES, tidas como um termômetro do investimento, somaram R$ 312,2 bilhões em 2012, ante R$ 195,2 bilhões em 2010 e R$ 255,9 bilhões em 2009.

Ainda assim, no acumulado do ano, a FBCF recuou 4%. A taxa de investimento, que mede a razão entre esse indicador e o PIB ficou em 18,1%, menor que os 19,3% do ano anterior. 

Recuperação em 2013

Para Valle, economista-chefe da MB Associados, há uma recuperação "frágil da economia", muito mais baseada em consumo e menos em investimento – um cenário que deve ser semelhante em 2013, para o qual a consultoria estima um crescimento do PIB de 3%.

"O investimento virá mais no segundo semestre e dependerá do plano de concessões (de portos, aeroportos, rodovidas e ferrovias). Caso ele não ande, vamos ter um resultado de investimento bastante ruim", diz Valle ao iG . O impacto maior, porém, só deve ser percebido em 2014.

Já o consumo deve se beneficiar da situação financeira mais confortável das famílias e ter uma alta de 5%, superior a de 2012, estima o economista.

* Com Agência Estado

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