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Boletim do governo vê nova matriz macroeconômica, muito promissora para o investimento, a produção e o emprego, com taxas de juros baixas, custos financeiros reduzidos para empresas e famílias, taxa de câmbio mais competitiva, e sólidos resultados fiscais"

Reuters

As medidas de estímulo adotadas pelo governo começam a dar sinais positivos para a aceleração do nível de atividade, avaliou o Ministério da Fazenda no boletim Economia Brasileira em Perspectiva, divulgado nesta sexta-feira.

- Para Fazenda, famílias estão com dívidas controladas

O documento traça um panorama otimista para o desempenho da economia no último trimestre deste ano e para o próximo ano, mas não apresenta projeções de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) para 2012, 2013 e 2014.

O governo iniciou o ano prevendo expansão de 4,5%, estimativa que foi progressivamente rebaixada diante da dificuldade da economia doméstica de crescer em meio à crise internacional e diante do desempenho ruim do investimento, da indústria e das exportações.

No apagar das luzes de 2012 e sem entregar o crescimento prometido, o Ministério da Fazenda disse que as perspectivas para 2013 são promissoras.

"O Brasil apresenta uma nova matriz econômica, ímpar na história do país, muito promissora para o investimento, a produção e o emprego, com taxas de juros baixas, custos financeiros reduzidos para empressas e famílias, taxa de câmbio mais competitiva, sólidos resultados fiscais... O país está preparado para experimentar mais um ciclo de longo prazo de crescimentos sustentável."

Um das poucas projeções elaboradas pelo Ministério da Fazenda para o documento informa que o investimento público está em trajetória de alta.

Para sustentar essa análise, o documento cita que o investimento da União será de 0,7% do PIB em 2012, ante 0,6% em 2011; o dos Estados e municípios atingirá 1,8% do PIB, versus 1,7% em 2011; e o das estatais federais subirá para 1,9% do PIB, contra 1,7% no ano passado.

A avaliação de que os estímulos adotados começam a mostrar resultado é ancorada em dados defasados sobre produção industrial, vendas no varejo restrito e ampliado, produção de veículos e melhora da confiança.

Na quinta-feira, o Banco Central reduziu sua projeção sobre o crescimento do PIB neste ano a 1%, ante 1,6% antes. Se confimado, será o pior resultado desde 2009, auge da crise internacional e quando a economia brasileira encolheu 0,3%.

O BC ainda não divulgou uma projeção para 2013 fechado. Apenas informou que, em quatro trimestres, o PIB terá crescido 3,3% no terceiro trimestre do próximo ano.

Embora o documento apresentado pelo Ministério da Fazenda nesta sexta-feira não tenha apresentado uma estimativa para o PIB do próximo ano, o ministro da pasta, Guido Mantega, disse na quarta-feira que vê a economia brasileira crescendo 4% no próximo ano.

A economia brasileira sofreu os impactos da crise externa e, por isso, o governo anunciou inúmeras medidas de estímulos --entre fiscais e de investimentos-- e abriu espaço para que a taxa básica de juro Selic fosse reduzida à atual mínima histórica de 7,25% ao ano.

Os efeitos, no entanto, foram limitados e insuficientes para fazer os investimentos voltarem a crescer. No trimestre passado, por exemplo, o PIB subiu apenas 0,6% sobre o período anterior, muito aquém do esperado pelo mercado.

CÂMBIO

O boletim Economia Brasileira em Perspectiva traz a avaliação do Ministério da Fazenda sobre o comportamento do câmbio, relatando que o país está "vencendo a guerra cambial" e que o real "está em nível mais competitivo".

O documento relata que "o governo brasileiro enfrenta a denominada guerra cambial implementando medidas macroprudenciais salutares sobre o fluxo de capitais internacionais de curto prazo".

Como exemplo, a pasta cita que a incidência do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) sobre empréstimos externos "foi uma das ações que contribuíram poara a elevação da taxa média de câmbio de R$ 1,72 em 2011 "para valores atuais próximos de R$ 2,10 no início de dezembro de 2012".

(Por Luciana Otoni)


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