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Autoridade monetária volta a reduzir projeção de crescimento para a economia no ano, no Relatório Trimestral de Inflação; se confirmado, será pior desempenho do PIB desde 2009

Reuters

O Banco Central reduziu a previsão para o crescimento da economia brasileira neste ano a 1%, ante 1,6%, ao mesmo tempo em que piorou sua perspectiva para inflação em 2012, mas melhorou ligeiramente a de 2013.

Se confirmado, será o pior desempenho do Produto Interno Bruto (PIB) do país desde 2009, auge da crise internacional, quando houve contração de 0,3%.

Segundo o Relatório Trimestral de Inflação da autoridade monetária divulgado nesta quinta-feira, a redução nas contas deste ano veio da piora das previsões para quase todas as variáveis que compõem o PIB, com destaque para a queda do investimento, que passa a ser de 3,5%, ante a indicação anterior de recuo de 1,3%.

O BC também piorou sua estimativa de contração para o setor industrial a 0,5%, ante 0,1%, neste ano. Já a estimativa de alta do setor serviços foi atualizada para 1,6%, menor do que os 2,2% esperados em setembro.

Para este ano, houve melhora nas contas sobre o setor agropecuário, mas ainda com retração: agora, a autoridade monetária calcula em 1%, ante 1,4%, devido ao desempenho das culturas de café e milho no terceiro trimestre.

A autoridade monetária também vê menor demanda interna, indicando que a alta no consumo das famílias será de 3%, ante 3,3% anteriormente, e que o consumo do governo será 3,2% maior, frente à previsão anterior de 3,7%.

Para 2013, no entanto, o BC vê recuperação da economia, e calcula que, em quatro trimestres, o PIB crescerá 3,3% no terceiro trimestre do próximo ano.

"A economia brasileira segue em recuperação, conforme evidenciado pela evolução das taxas de crescimento trimestrais do PIB na margem. Esse processo tende a ser intensificado em 2013, em parte, em decorrência de impactos cumulativos das ações de política recentemente implementadas", informou o BC via o relatório.

Preços

O BC piorou suas projeções sobre o IPCA neste ano, com alta de 5,7% pelo cenário de referência, ante previsão anterior de 5,2%. Para o próximo ano, no entanto, ele melhorou um pouco as contas, para 4,8%, frente a 4,9% visto em setembro, já incorporando a previsão de queda nos preços das tarifas do setor elétrico.

E, pela primeira vez, a autoridade monetária divulgou a projeção para a inflação em 2014 todo, de 4,9%, também pelo cenário de referência - dólar a R$ 2,05 e Selic constante a 7,25%.

Todas as projeções estão acima do centro da meta oficial, de 4,5% pelo IPCA.

"A evolução dos preços ao consumidor nos últimos meses refletiu a aceleração dos preços livres, influenciada pelos aumentos nos grupos alimentação, vestuário e transportes".

Mais recentemente, os preços voltaram a ganhar força. Na quarta-feira, foi divulgado que o IPCA-15 - prévia da inflação oficial - fechou 2012 com alta de 5,78%, mas abaixo dos 6,56% vistos no ano anterior.

Para o próximo ano, avaliam os analistas, a inflação pode contar com mais uma fonte de pressão e que não está, pelo menos por enquanto, explicitada nas contas do BC: o aumento nos preços da gasolina.

Na véspera, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou que "certamente" haverá aumento dos preços dos combustíveis em 2013.

"Para evitar que esse reajuste influencie a inflação, o governo vai tentar compensar reduzindo o PIS/Cofins", acredita o economista-chefe da Planner Corretora, Eduardo Velho, acrescentando ainda que a tendência é que o "o governo use mais claramente o câmbio para controlar inflação".

Para ele, o BC continuou indicador que a Selic ficará na atual mínima histórica em 2013, mas lembra que esse cenário pode mudar caso haja piora no ritmo do crescimento no próximo ano e a taxa básica de juros poderia ser reduzida a 7% até o fim do próximo ano.

Pelo relatório, o BC reforçou mais uma vez que a Selic ficará estável por um "período suficientemente prolongado" e que a inflação convergirá para o centro da meta em 2013, ainda que de forma não linear.

O economista-chefe do J.Safra, Carlos Kawall, considerou que o relatório não trouxe surpresas para a trajetória prevista para inflação. "Isso corrobora a ideia de manutenção dos juros por período prolongado", disse.


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