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Representante da cadeia de fornecedores prevê queda na extração, enquanto consultoria projeta aumento

Após o rebaixamento da perspectiva de risco de crédito anunciado ontem pela Moody’s, incertezas cercam a Petrobras sobre a produção de petróleo em 2013. Segundo estimativas feitas por Jorge Ramos, presidente da Sociedade Internacional de Automação (ISA, na sigla em inglês) e diretor do departamento de óleo e gás da Parker, uma das principais fornecedoras da Petrobras, a produção de petróleo deve cair em relação aos últimos anos. De acordo com suas projeções, a extração deve ser reduzida a 1,7 milhão de barris por dia. O nível de produção é semelhante ao de 2007.

Já para a consultoria LCA, a produção do próximo ano deve alcançar o volume de 2,2 milhões de barris por dia. Segundo os últimos anúncios da estatal, a meta é acompanhar o nível de produção de 2011, de 2,1 milhões de barris por dia.

Segundo a Agência Nacional do Petróleo (ANP), a produção começou a cair já neste ano. Há dois anos, eram produzidos 2,11 milhões de barris por dia. Em 2012, o volume caiu para 2,06 milhões de barris diários.

Os números mais recentes, entretanto, indicam uma piora mais acentuada. A média diária de produção dos últimos seis meses é a pior desde 2009 em igual período. Já a dos últimos três meses só supera a de 2008.

O principal argumento de Ramos é a falta de investimentos em poços já explorados. O processo conhecido como rejuvenescimento ainda não foi iniciado na Bacia de Campos, principal local de produção da estatal. Sem o método, que consiste no preenchimento do campo de petróleo por gás ou água, a pressão do óleo se reduz e a vazão cai gradativamente. “Com a prática do rejuvenescimento, alguns poços ganham até 10% de produtividade. A produção voltará a crescer entre 2014 e 2015”, afirma.

Apenas neste ano, a presidente da estatal, Graça Foster, assinou os contratos para que fossem realizadas as reformas nas plataformas.

A LCA explica que a queda da produção neste ano acontece devido às paradas programadas nos campos de Roncador e Marlim Leste. Além disso, soma-se a interrupção das atividades da Chevron após o vazamento de óleo na Bacia de Campos, em março deste ano. Em 2013, no entanto, a produção interrompida nos poços da Petrobras devem voltar ao normal.

Caso as estimativas de Ramos estejam corretas, o Brasil perde a autossuficiência nominal do petróleo, projetada em 2 milhões de barris por dia.

Com isso, aumentará a pressão sobre a balança comercial do petróleo, que neste ano é superavitária em US$ 5,8 bilhões. Atualmente, o Brasil importa um óleo mais leve do que o explorado no país, necessário para a produção de gasolina. Espera-se que, com maior volume de óleo extraído do pré-sal, o problema seja resolvido. Hoje, a exploração em águas profundas produz 180 mil barris de óleo por dia, segundo a ANP.

Para Jean-Paul Prates, diretor do instituto Cerne, variações na produção de petróleo são normais. “Estamos no limiar da autossuficiência. Alguns anos é possível que se perca este patamar. O próprio consumo causa essa flutuação. O importante é manter os investimentos em produção.”

Ele diz também que, apesar de perspectivas que podem não ser tão boas, o país tem que comemorar a pequena dependência energética internacional. “No que se refere à produção, somos muito bem resolvidos. Existem muitos investimentos atrasados, principalmente no pré-sal. A discussão política sobre o tema só é útil quando se planeja um uso melhor do óleo”, afirma.

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