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Medida será tomada se importações continuarem proibidas mesmo após explicações sobre a doença

O governo brasileiro pode fazer uma consulta formal, por meio da Organização Mundial do Comércio (OMC), à China, à África do Sul e ao Japão, os três países que oficializaram o embargo à carne bovina na semana passada. Isso pode ocorrer caso esses parceiros comerciais insistam em proibir a importação, mesmo após os esclarecimentos sobre o agente causador da doença chamada de “mal da vaca louca”, encontrado em um animal já morto no estado do Paraná em dezembro de 2010.

De acordo com o Itamaraty, está afastada até o momento a possibilidade de abrir um contencioso por ser considerada uma medida extrema, cara e demorada. Por isso mesmo todos os esforços estão concentrados no fornecimento de informações por meio das embaixadas brasileiras e adidos agrícolas em vários países.

Entre janeiro e outubro deste ano, esses três países importaram cerca de US$ 50 milhões em carne bovina congelada, fresca ou in natura do Brasil. É um valor muito baixo frente aos US$ 934 milhões da Rússia, a maior compradora. “O impacto financeiro é pequeno, mas o efeito psicológico de um embargo é grande”, disse o presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro. “O ruim é criar um precedente, principalmente porque o Japão é conhecido internacionalmente como um país muito rigoroso nessas questões.” Até sexta-feira à tarde, nenhum outro país havia notificado oficialmente ao Ministério da Agricultura e Pecuária e Abastecimento (Mapa) quaisquer embargos.

Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), as exportações de carne bovina representam 1,83% de tudo que é embarcado ao exterior. “É um percentual pequeno, mas é uma cadeia extremamente importante, até socialmente”, lembra o consultor Welber Barral e ex-secretário de Comércio Exterior do MDIC, ressaltando que a carne brasileira é um dos produtos que têm mais competitividade no mercado mundial. “O Brasil tem que tomar muito cuidado porque todo mundo quer barrar produtos que são muito competitivos”, afirmou, referindo-se à pressão que fazem aos produtores de inúmeros países diante da “oportunidade” de uma notícia negativa como essa.

Castro chama a atenção para os riscos da perda de credibilidade, em especial em uma conjuntura de crise como a atual. E levanta a questão sobre a demora do comunicado da existência do agente causador do “mal da vaca louca” às autoridades internacionais.

O Mapa tem informado que o animal, que não pertencia mais a uma área de pecuária comercial, morreu de velhice, com 13 anos. Foi encontrado no chão em dezembro de 2010 no interior do Paraná. Seus restos foram levados para os exames, como a verificação de raiva, no início de 2011. Como o resultado foi negativo, entrou em uma “fila” de análises de praxe que são feitas nesses animais. Ao ser avaliado em junho deste ano, foi encontrado o agente causador da Encefalopatia Espongiforme Bovina (EEB) e a análise foi enviada para Inglaterra. Assim que o país confirmou, a notícia foi divulgada.

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