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Países da região, inclusive o Brasil, têm que incluir tecnologia na pauta e reduzir dependência de commodities

Os países latino-americanos — inclusive o Brasil — precisam diversificar a pauta de exportações, reduzindo a dependência de matérias-primas, e, assim, se preparar para um novo cenário econômico. O tema já ocupa a agenda da presidente Dilma Rousseff.

Para isso, devem avançar na industrialização, o que exige medidas protecionistas por meio de câmbio e de ações de valorização do conteúdo doméstico, no aprofundamento dos acordos regionais e na inserção de consumidores no mercado.

As conclusões foram pinçadas no encontro do Conselho de Empresários da América Latina (Ceal), que congrega 500 empresários da região, sendo 80 brasileiros, que se reuniram recentemente em Cancún (México).

Para os empresários latino-americanos, os países da região podem manter posição de destaque no mercado de commodities, mas, nos próximos 20 anos, também podem e devem andar a passos largos no avanço industrial, que garante mais qualidade no processo de desenvolvimento econômico, mais qualificação da mão de obra, maior inserção no mercado consumidor e elevação da renda per capita, afirma Ingo Plöger, presidente para o Brasil do Ceal.

“É um modelo que assegura mais estabilidade econômica, pois, nos períodos de crise, o setor de serviços sofre mais.”

No campo da tecnologia, apontaram os empresários, a região se destaca nas aplicações para o agronegócio, na área alimentícia — com proteínas animais e vegetais — e na de combustíveis — com etanol e biomassa.

E o Brasil tem papel de destaque na trajetória de evolução industrial e científica da região, com empresas como Embraer e Petrobras que desenvolvem e disseminam tecnologia.

O ciclo virtuoso da industrialização inclui a ampliação do mercado consumidor — em toda região 60 milhões de pessoas ascenderam socialmente nos últimos anos —, com a melhora na renda consolidando novas estruturas sociais. “Temos uma importante vantagem comparativa na América Latina: a inserção social se dá de baixo para cima, o que estimula a venda de produtos de entrada, maior estabilidade no consumo e menor tensão social”, analisa Plöger.

A dinâmica de aceleração e diversificação industrial e de comércio exterior passa ainda pelo reconhecimento das PMEs na criação de empregos e tecnologia e pelo reforço na integração regional, especialmente no que diz respeito ao setor de energia.

Segundo a Ceal, no horizonte dos próximos 20 anos, a tendência é de aprofundamento da integração por meio de acordos de comércio, entre eles, o pacto Andino e Mercosul. Na mesma janela, a região deve se tornar a maior plataforma para investimento em infraestrutura do mundo.

O avanço da América Latina depende de certo nível de protecionismo, afirma Plöger, tanto pela via cambial quanto pela valorização do conteúdo nacional. “O Brasil está na direção certa.”

Ao contrário, Colômbia, México, Peru e Chile viram suas moedas se valorizando neste ano por conta da exportação de commodities. “A região manterá a liderança em alimentos, minerais e energias renováveis, mas não pode se contentar com isso.”

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