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Levantamento do Sindipeças aponta que 58% do preço do carro equivale às despesas com montagem

Brasil Econômico

Muito se fala do custo para produzir veículos no Brasil, mas um estudo aponta que montar um carro aqui ainda é mais vantajoso que nos Estados Unidos, por exemplo. Segundo levantamento realizado pelo Sindipeças, em conjunto com a consultoria IHS Automotive do Brasil, as despesas das montadoras instaladas no país representam 58% do preço final do carro. Nos Estados Unidos, o índice chega a 91%. Então o que justifica a diferença dos valores praticados pelas revendas no mercado brasileiro?

Conforme o levantamento, a explicação está na margem de lucro das empresas locais. No Brasil, 10% do preço do carro equivale aos ganhos das montadoras. Nos Estados Unidos, o lucro não chega a 3%.

“No geral, o Brasil tem os custos bons se comparados com países maduros. Não é melhor, é claro, quando se equipara com as despesas para se montar um carro na China ou na Índia. Mas, mesmo assim, essa diferença na margem das empresas é justificável. Elas têm que amortizar os investimentos realizados no país, que em geral são altos”, disse o diretor na Pieracciani Desenvolvimento de Empresas, Alfonso Abrami.

Para montar uma fábrica no país com uma capacidade de produção mínima de 30 mil unidades por ano, a montadora terá que desembolsar, de acordo com o novo regime automotivo brasileiro, R$ 510 milhões. Os últimos investimentos anunciados pelas empresas são bem maiores, na casa de R$ 1 bilhão.

“As novas regras, o Inovar Auto (o nome oficial do regime automotivo), podem fazer com que os custos de produção no país aumentem em razão da obrigatoriedade de maior índice de nacionalização nos veículos produzidos localmente. Com isso, empresas que importavam peças de países com custo inferior, como a China, terão que mudar a sua estratégia. Querer por decreto aumentar a nacionalização dos componentes poderá sim impactar no custo de produção no Brasil.”

Defesa

As montadoras se defendem e colocam a culpa na diferença de preços praticadas no país, principalmente, no custo Brasil, que inclui a logística e as despesas com matéria-prima.

“Os preços não sobem no país há mais de três anos. Não podemos repassar o custo”, disse o presidente da Jac Motors do Brasil, Sergio Habib. Ele comparou os preços praticados para um carro mundial, o Toyota Corolla com produtos também globais, como o BigMac, no Brasil, Estados Unidos, Alemanha, China e Japão.

Pela análise do executivo, no Brasil, o carro é vendido a US$ 28,59 mil, o maior valor. Na China, os consumidores pagam US$ 22,46 mil, na Alemanha US$ 24,42 mil e nos EUA US$ 16,33 mil, “Se o preço do carro fosse em BigMacs, no Brasil ele custaria 5.034 sanduíches e teria o terceiro maior preço. Ficaríamos atrás da Alemanha, com 5.512 sanduíches. Não é somente o carro que é caro no Brasil, tudo é caro.

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