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Comparação é com setembro; em relação ao mesmo mês do ano anterior, o IBC-Br avançou 3,20% e, em 12 meses, acumula alta de 1,21%

Reuters

A economia brasileira começou o quarto trimestre acelerando o passo, com alta acima do esperado pelo mercado, mas ainda não suficiente para sustentar avaliações de que a recuperação veio para ficar.

O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) subiu 0,36% em outubro ante setembro, mês este que havia registrado queda mensal de 0,52%.

O resultado de agora, divulgado nesta sexta-feira, veio acima da mediana das projeções de 20 analistas consultados pela Reuters, que mostrava alta de 0,20% no período. As contas variavam de queda de 0,10% a alta de 1%.

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Na comparação com igual mês do ano anterior, o IBC-Br --tido como um antecedente do Produto Interno Bruto (PIB)-- avançou 3,20% e, em 12 meses, acumula alta de 1,21%, de acordo com dados dessazonalizados do BC.

O IBC-Br incorpora estimativas para a produção nos três setores básicos da economia -serviços, indústria e agropecuária.

"O indicador está mostrando que a economia não está ganhando força significativa neste último trimestre", comentou o estrategista-chefe da WestLB, Luciano Rostagno, acrescentando que, na margem, o crescimento trimestral passou de 1,14% em setembro para 1,06% em outubro.

Com isso, Rostagno calcula que o PIB crescerá 1% no quarto trimestre, 1% em 2012 fechado, acelerando a 3,5% em 2013. Ele mantém a avaliação de que, mesmo com as incertezas que cercam a recuperação da atividade, o BC não vai alterar a estratégia de manter a Selic na mínima histórica de 7,25% ao ano em 2013.

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O governo tem defendido que a economia começou a ganhar tração melhor neste fim de ano, depois de o PIB ter crescido apenas 0,6% no terceiro trimestre, muito abaixo do esperado e deixando claro que a recuperação está sendo bem lenta. O resultado do trimestre passado veio com a pior retração dos investimentos em mais de três anos

O resultado do terceiro trimestre, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), acabou vindo muito pior do que o resultado do IBC-Br, o que também chamou a atenção dos especialistas.

Analistas argumentam que o resultado de outubro refletiu os dados melhores do varejo e da indústria, mas argumentam que foram bastante estimulados pelas medidas do governo, como redução da alíquota do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para automóveis e linha branca, programada para acabar no fim deste mês.

Para o economista da gestora de fundos Claritas Felipe Carvalho, diante da incerteza que ainda paira sobre o economia neste fim de ano, ele acredita que as medidas serão renovadas.

"Provavelmente deve ter renovação de IPI porque o cenário é de muita incerteza", disse ele, para quem o crescimento no quarto trimestre será de 0,9% e de 3,3% em 2013.

Além do IBC-Br, outros indicadores mostraram que a economia poderia estar ganhando mais força. Entre eles, as vendas no varejo, que cresceram em outubro pelo quinto mês seguido, com alta mensal de 0,8% ante setembro, no maior ritmo desde julho.

A produção industrial, setor que vinha mostrando maior dificuldade de recuperação devido à crise mundial, voltou a subir em outubro, 0,9% frente a setembro. Ainda assim permanecem sinais de que os investimentos no setor não estão se recuperando.

Pesquisa Focus do BC mostra que o mercado estima crescimento de 1,03% em 2012, acelerando para 3,5% em 2013.

O economista-sênior do Banco Espírito Santo, Flávio Serrano, também concorda que o BC não mudará a estratégia de manter a Selic estável no próximo ano, com foco no controle da inflação.

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