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Participação da capital paulista recuou de 12% para 11,8% na geração das riquezas do país

Apesar de ainda estarem no patamar de maiores municípios geradores de riqueza do país, Rio de Janeiro e São Paulo perderam participação no Produto Interno Bruto (PIB) em 2010, segundo a pesquisa “Produto Interno dos Municípios”, divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A atividade econômica em São Paulo foi de 11,8% do PIB, enquanto em 2009 era de 12%. O Rio de Janeiro, por sua vez, que antes correspondia a 5,3% das riquezas geradas no país recuou, chegando a 5%. Entre as cidades que registraram crescimento na participação no PIB, destacam-se Vitória (ES) e São Bernardo do Campo (SP) , que aumentaram seus PIBs em 0,1 ponto percentual cada uma.

Pela análise do IBGE, a queda de participação de São Paulo é explicada pelo desempenho com menor força no setor da indústria de transformação, comércio e serviços de reparação. Já no Rio, a redução no ritmo de fabricação de máquinas e equipamentos para os setores da construção e extração mineral explicou a redução na geração de riquezas.

No caso de Vitória, o que elevou a participação do município foi a atividade extrativa mineral com a recuperação, em 2010, da produção de pelotas de minério de ferro. Com relação a São Bernardo do Campo (SP), o bom desempenho no ano de 2010 está ligado à indústria automotiva e ramos ligados a esta atividade e também os setores de artigos de perfumaria e cosméticos.

Para o professor Felipe Leroy, do Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (IBMEC) de Minas Gerais, o fato de as grandes metrópoles estarem perdendo participação no PIB nacional reflete um movimento que vem acontecendo nos últimos dois anos, de migração de empresas para outras cidades, muitas na região Nordeste.

“Hoje, acontece o inverso do que se via há dez anos, quando Rio e São Paulo, principalmente São Paulo concentravam empresas em arranjos produtivos em determinadas regiões, o que resultava em um alto ganho de escala. Hoje, há uma desconcentração da indústria e isso acaba reduzindo o PIB destas cidades”, explica o professor.

Leroy afirma que a tendência é que as metrópoles percam participação ao longo do tempo e venham a buscar outras atividades produtivas, caso da economia criativa, onde o Rio se destaca. “A economia criativa concentra no país 2,5% dos empregados no mercado formal. No Rio, o volume representa 3,8% dos empregos com carteira assinada. É uma indústria crescente mas que não tem impacto no curto prazo no PIB”, diz.

Em 2010, a renda gerada por seis municípios, correspondia a aproximadamente 25% de toda a geração de renda do país. São eles: São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Curitiba, Belo Horizonte e Manaus.

Cerca de 35% de todos os 5.565 municípios brasileiros, ou 1.980 do total, tinham mais do que um terço de suas suas economia dependentes dos recursos federais.

Em 2010, o peso do Valor Adicionado Bruto (VAB) da administração, saúde e educação públicas e seguridade social no PIB do Brasil foi de 13,9%. Municípios com grande dependência da máquina administrativa na sua economia estavam localizados principalmente nas regiões Norte e Nordeste.

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