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Bancos e empresas de infraestrutura crescem regionalmente para suprir lacunas nos países vizinhos

Se os países latino-americanos precisam reduzir as lacunas que engessam seu potencial de desenvolvimento econômico — especialmente em áreas como a de infraestrutura ou financeira —, as companhias brasileiras estão ávidas por oportunidades para suprir todas essas necessidades.

Por isso, há expectativa de que os próximos dois anos representem um processo de consolidação na trajetória de expansão dessas empresas do Brasil pela América Latina. Depois de esse fluxo ter se intensificado fortemente a partir de 2009, com a crise global que assolou os países desenvolvidos, muitas companhias intensificaram suas ações na região e começam a colher bons frutos.

O cenário é bastante promissor. Por exemplo: os 100 projetos mais importantes e urgentes de infraestruturas para a região requerem um investimento de cerca de US$ 250 bilhões, de acordo com o Fórum Latino-Americano de Liderança. Segundo o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), só o déficit habitacional alcança 56 milhões de unidades.

Esse panorama abre oportunidades como a que está sendo aproveitada pela Camargo Corrêa na Colômbia, para a construção da usina hidrelétrica de Ituango — o maior projeto de infraestrutura realizado naquele país, que representará um aumento de 17% da capacidade de energia instalada. “Ituango representa mais um avanço internacional da construtora”, comemora o presidente da construtora, Dalton Avancini.

Ainda na área de grandes construções, a Odebrecht, por exemplo, assinou recentemente um contrato para atuar em Cuba, em um projeto na área agrícola (leia mais ao lado).

Mercado financeiro

Além da infraestrutura, outro grande interesse das companhias brasileiras no mercado latino-americano está focado na área financeira. Toma como base, por exemplo, o fato de a Colômbia — que vive uma forte expansão da classe média — ainda registrar índice de bancarização de 50%. “Instituições como o BTG e o Itaú têm planos ambiciosos para a América Latina”, diz André Sacconato, diretor de pesquisa da Brain (Brasil Investimentos & Negócios). Ele aponta que também no Chile e no Peru tem havido mais espaço para o crescimento no setor financeiro. “São países com políticas econômicas sólidas que passam por processos semelhantes ao que o Brasil atravessou nos últimos anos. O potencial é enorme”, diz.

“A América Latina é essencial à nossa estratégia. Por meio da fusão com a Celfin, criamos o banco de investimentos líder nesse continente. Acreditamos que a Colômbia e o Peru, onde a Celfin estabeleceu operações recentemente, sejam países-chave. Esta expansão ainda está pendente e será finalizada assim que recebermos a permissão das autoridades reguladoras”, declara o BTG em nota.

Saconnato destaca ainda que, embora Argentina e Venezuela não estejam chamando tanto a atenção dos investidores no momento, em razão dos atuais governos, vale não deixar de lado esses dois grandes mercados. “Uma hora a política vai mudar e quem já estiver presente nesses países sairá na frente na conquista do mercado”.

Prova disso é que, independentemente de governos, a região tem apresentado crescimento generalizado como alvo de destino de recursos de investidores. Em 2011, a América Latina atingiu m número recorde de US$ 153,44 bilhões de investimento estrangeiro direto, segundo a Comissão Econômica para a América Latina (Cepal). Isso ocorre porque a atividade econômica na América Latina continua intensa apesar da desaceleração mundial. A região conseguiu na última década reduzir a pobreza de 48% para 29%, e aumentar sua classe média em 50%, de 103 milhões de pessoas para 152 milhões.

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