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Site de moda online recebeu R$ 135 milhões de fundo, mas teme investidor público

Depois de anunciar a quarta rodada de investimentos, que levantou R$ 135 milhões, aporte recebido de holdings e fundos estrangeiros, a loja online de moda e calçados Dafiti diz não pensar em ir a mercado via oferta inicial de ações (IPO). Ao menos por enquanto.

“Temos apenas dois anos de atividades. Não há nada planejado. Mas quem sabe algum dia”, diz Philipp Povel, um dos sócio-fundadores da empresa de comércio eletrônico.

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Para ele, ainda há muita coisa a ser feita antes da apresentação ao investidor na bolsa. O executivo encara uma abertura de capital precoce como perigosa, pois, esclarece, o perfil do investidor em bolsa é mais conservador do que investe em empresas nascentes, as chamadas start ups. “Sempre conseguimos mais que dobrar nosso faturamento a cada temporada, são poucas empresas na bolsa que têm este desempenho. Haveria demanda pelo papel, mas a aversão pelo risco também é maior. Portanto, devemos estar bem preparados antes”, diz.

Novas rodadas de investimento não são descartadas por Povel. “Estamos sempre em contato com investidores do mundo todo e estamos dispostos a aceitar aqueles que façam sentido”.

A nova rodada de investimentos recebida pela empresa é liderada pela Quadrant Capital Advisors, companhia de investimentos com sede em Nova York que contribuiu com mais de R$ 66 milhões do total. Ela é liderada por Alejandro Santo Domingo, um dos investidores de maior renome da Colômbia.

Participaram com aportes adicionais o fundo sueco AB Kinnevik, conhecido por investimento em países emergentes; o fundo Summit Partners, de Boston; e outros investidores por meio de uma holding alemã.

No total, foram R$ 375 milhões investidos em quatro rodadas de negócios realizadas em 23 meses de operações. “Não temos mais que provar que funcionamos. A cada nova rodada, um novo universo de investidores se abre. O último processo seria o IPO”, diz Povel.

O aporte será usado principalmente para reforçar as operações logísticas e expandir o portfólio de marcas e produtos nos cinco países da América Latina em que a empresa atua: Brasil, Argentina, Chile, Colômbia e México.

“Não vamos começar a vender geladeiras. Não vamos reinventar o negócio. Vamos tentar fazer melhor em nosso campo de atuação”, resume Povel.

Apesar da expansão da atuação para outros países da América Latina, o foco continuará sendo o Brasil. “Nossa posição já está consolidada em calçados, roupas e beleza, mas a penetração é ainda baixa no país comparado a outros. Outras categorias, como esporte e casa, mesa e banho podem crescer muito no Brasil.” O objetivo da Dafiti é ganhar market share em todos os países em que atua diante de um mercado que oferece crescimento, especialmente nas categorias onde atua.

Estimativas do mercado apontam que o faturamento do comércio online é de aproximadamente 5% do volume total do varejo, mas a velocidade de expansão do varejo virtual é, no mínimo, quatro vezes maior do que a de lojas físicas.

“Hoje o maior volume de vendas já está relacionado a bens duráveis. Artigos ligados a roupas e cuidados pessoais devem crescer ‘rapidamente no comércio virtual”, diz Claudio Felisoni de Ângelo, presidente do conselho do Programa de Administração de Varejo (Provar/Ibevar). Em 2011, o crescimento do varejo atingiu 12%, enquanto o do varejo pela internet chegou a quase o triplo, diz Felisoni. O alargamento da classe média é o principal fator de atratividade para investidores estrangeiros no segmento no Brasil.

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