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Para especialista, novos pacotes deveriam incluir incentivos à produtividade e à inovação

O trabalho do governo no sentido de estimular a economia e incentivar investimentos, por meio da redução de juros, desoneração da folha de pagamento e investimentos em infraestrutura ainda vai levar tempo para surtir efeito, afirmam especialistas. O economista e professor do Ibmec-RJ Gilberto Braga, acredita que são necessários ao menos seis meses para que as medidas tenham resultados efetivos e sejam percebidas pelo brasileiro.

“As medidas fazem sentido. Mas daí a dizer que vão efetivamente funcionar, exige tempo, um intervalo de seis meses pelo menos. São iniciativas que estão na direção correta e dentro do arsenal de guerra que o governo dispõe”, diz o economista.

Com relação à trajetória de redução de juros, que a partir de agora deverá passar por uma “parada técnica” até o final do ano, Braga diz que é importante que a Selic se encontre no atual patamar. No entanto, diz ele, juros menores não determinam a decisão de investimento. Para Maria Beatriz David, professora de economia da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, as medidas de estímulo aos investimentos não surtiram efeito sobre as expectativas dos investidores. “Não se consegue ‘forçar’ investimentos, porque eles dependem de expectativa, que atualmente não está nada boa”, ressalta.

“O que parece ter efeito mais imediato na decisão de investimento é a desoneração. No caso dos custos da construção civil, um mercado que está aquecido, a desoneração ajudou”, afirma Braga.

Já o setor de infraestrutura, segundo Braga, ainda padece com gargalos, obras paradas e burocracia, que travam o desenvolvimento. Neste sentido, David destaca que os investimentos atuais passam por problemas de execução. “As hidrelétricas, por exemplo, ficam muito longe e enfrentam escassez de mão de obra”, explica.

Braga diz que a iniciativa da Empresa de Planejamento e Logística (EPL) de trabalhar nos setores de rodovias, portos e aeroportos, deverá ajudar a acelerar o ritmo de projetos. Ele assinala que é preciso que as agências reguladoras disponham de mecanismos para garantir mais rapidez na solução de problemas burocráticos, que atrasam o andamento das obras de infraestrutura, naturalmente projetos de longo prazo. “Não é fazer campanha contra as agências reguladoras. Pelo contrário, elas são importantes. É preciso trabalhar para que as soluções sejam rápidas, porque quem paga a conta é o país”, diz.

Davi afirma que para se conseguir o efeito esperado sobre a economia, o governo deveria lançar mão de medidas que incentivem o aumento da produtividade e a inovação tecnológica. “O crescimento do salário mínimo e das transferências, por programas como o Bolsa Família, aumentaram o custo da mão de obra, mas a produtividade do país está estagnada. Os salários não podem crescer além do PIB”, finaliza.


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