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Taxa básica da economia saiu de 11% ao ano em janeiro e encerra 2012 em 7,25% ao ano; redução gerou alterações nas regras de remuneração das cadernetas de poupança

O ano de 2012 foi marcado por mudanças importantes na condução da economia. De forma geral, várias medidas adotadas pelo Governo Federal tiveram como foco a tentativa de blindar o País contra os efeitos da desaceleração da economia na Europa, nos Estados Unidos e na China, os principais parceiros comerciais do Brasil. Redução de juros e de impostos em setores específicos tinham como alvo o segmento produtivo e estimular os consumidores para tentar manter uma trajetória satisfatória de crescimento.

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Sob essa perspectiva o Banco Central iniciou o ano mantendo a estratégia iniciada em agosto do ano anterior, reduzindo a taxa básica de juros da economia, a Selic, em praticamente todas as reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom), com exceção no última encontro de 2012, onde a taxa foi mantida no patamar de 7,25% ao ano . Dessa forma, o ano que começou com os juros em 11% ao ano acabou entrando para a história como o período com a menor taxa já praticada no País.

Taxa Selic

Evolução da taxa básica de juros da economia

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Banco Central

Essa forte redução dos juros pelo governo gerou outras duas frentes: a mudança nas regras que determinam a remuneração das cadernetas de poupança e a pressão, via bancos públicos como o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal, para que as instituições financeiras privadas reduzissem as taxas de juros nos empréstimos, principalmente para pessoas físicas.

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Diante desse cenário de queda de juros desenhado pelos bancos públicos, as instituições financeiras privadas foram obrigadas a apertar os cintos e se esforçar para melhorar a eficiência e, assim, manter seus clientes e seus lucros. Essa busca por mais eficiência é um processo ainda em implantação e passa pela mudança de cultura na gestão dos bancos

Quem saiu ganhando com a queda-de-braço pela redução do spread bancário, que é a diferença entre os juros que os bancos pagam para tomar recursos e o que cobram ao emprestar aos clientes, no Brasil foram os clientes dos bancos. Agora os clientes podem aproveitar a chamada portabilidade salarial para obter juros menores na compra de imóveis, por exemplo, ou ter melhores condições em empréstimos caso optem pela migração da dívida a outra instituição financeira. No entanto, é preciso abrir os olhos para identificar eventuais aumentos nas tarifas bancárias, um recurso ao qual os bancos podem recorrer para tentar manter suas margens de lucros.

Cadastro positivo

Em outubro o governo publicou no Diário Oficial o decreto que estabelece as regras que permitem a classificação de consumidores a partir de sua capacidade de pagamento de dívida, conhecido como cadastro positivo .

Queda-de-braço pela redução dos juros bancários beneficiou o consumidor e ampliou a oferta de crédito
Getty Images
Queda-de-braço pela redução dos juros bancários beneficiou o consumidor e ampliou a oferta de crédito


Essa foi mais um medida, que veio em paralelo com a redução dos juros, e também abre caminho para que as empresas que gerenciam os cadastros de crédito no País passem a criar históricos de pagamentos feitos por consumidores.

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A regulamentação do cadastro positivo coincide com a pressão feita pelo governo para que bancos reduzam os juros cobrados de clientes após o corte do juro básico para a mínima histórica de 7,25% ao ano. O principal benefício com a medida é que as instituições que concedem crédito poderão cobrar menos dos melhores clientes e mais dos piores

A expectativa das autoridades e do mercado financeiro é que após uma difusão mais ampla do cadastro positivo, o mecanismo funcione como um incentivo para reduzir ou evitar a inadimplência.

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