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Para Gustavo Franco, presidente do Conselho de Administração da Rio Bravo Investimentos, o Executivo deveria priorizar a recuperação do setor de serviços em detrimento do industrial

Em vez tentar “acordar a indústria”, o governo deveria se preocupar com a recuperação do setor de serviços, onde estão mais de 75% dos empregados brasileiros e que responde por mais de 70% do Produto Interno Bruto nacional, afirmou nesta quarta-feira Gustavo Franco, presidente do Conselho de Administração da gestora de recursos Rio Bravo Investimentos. Para ele, a fraca expansão do PIB no terceiro trimestre do ano deveria forçar uma reflexão do Executivo sobre a importância dos estímulos ao setor industrial para a retomada do crescimento do Brasil.

“O PIB fraco deveria gerar uma reflexão sobre essa ênfase setorial, e sobre a mitologia de que a prosperidade de um país do tamanho do Brasil depende da indústria”, afirmou o executivo em evento da Associação Brasileira de Private Equity e Venture Capital (ABVCAP),em São Paulo.SegundoFranco, além de mudar o foco dos estímulos, o governo deveria atacar também a questão da deterioração da confiança que ocorreu principalmente no primeiro semestre do ano e que, devido a um descompasso entre o enfraquecimento da demanda após a redução da taxa de juros e os custos de trabalhos maiores, causou um estrangulamento do capital de giro das empresas.

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Franco acredita que a retomada do crescimento passa por uma “nova postura governamental favorável ao capital”. “Precisamos ter um choque de empreendedorismo ou de capitalismo, com mais Capex (despesas de capital) por unidade de faturamento de produção, e não de uma forma que seja pelo aumento das prestações”, complementou o executivo fazendo referência à expansão do crédito.

Já Ilan Goldfajn, economista-chefe do Itaú Unibanco e sócio do Itaú BBA destaca que as recentes intervenções nos setores bancários, elétrico e no câmbio, só para citar algumas, ajudam a minar a já abatida confiança dos investidores. “Mesmo quem está disposto a investir pelos estímulos fica com receio de haver uma retirada dos estímulos se houver uma mudança da situação no futuro. Então eles (investidores) estão com uma atitude de esperar para ver”, afirma o executivo.

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Na análise de Goldfajn, os estímulos lançados pelo governo podem não ser suficientes para a retomada do crescimento. Levando isso em consideração, o Itaú BBA reduziu o crescimento do PIB do próximo ano para perto de 3%, contra os 4% anteriores. Já Franco qualifica a estimativa do banco como “otimista”. “O ambiente não é conducente para um crescimento de 3% no ano que vem. É o drama de um país que não consegue elevar seu nível de investimento. Não é batendo tambor em Brasília que as coisas vão acontecer”, opina.

Câmbio

Os economistas veem a queda de braço do governo para manter o real depreciado como prejudicial à moeda. “Tão importante quanto um câmbio competitivo é ter um câmbio estável e seguro pela frente. Quando há incertezas, você pode ter o câmbio depreciado que isso não vai ajudar”, afirma Goldfajn, que prevê para 2013 um câmbio em torno de R$ 2,10 e R$ 2,15.

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