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Após decepção com resultado do PIB, presidente convoca ministro da Fazenda para estruturar novas medidas

Após a decepção com o crescimento da economia no terceiro trimestre do ano, a presidente Dilma Rousseff convocou para hoje uma reunião com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, específica para tratar do tema. Ela quer uma avaliação mais apurada do que não deu certo, uma vez que houve uma série de medidas para estimular o consumo, o juro básico está em seu menor nível histórico e o real se desvalorizou 15% em relação à cotação do dólar em novembro do ano passado. Mas, principalmente, estruturar novas medidas que possam, de fato, fazer com que o Produto Interno Bruto (PIB) de 2013 cresça ao menos os 4% prometidos pelo chefe da equipe econômica — muito embora o número oficial seja de 4,5%.

Na sexta-feira passada, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou que o ritmo da atividade foi ampliado em apenas 0,6% entre julho e setembro frente aos três meses anteriores, abaixo, portanto, do esperado pelo governo (algo entre 1% e 1,3%). Dilma não gostou de o resultado ter ficado distante das projeções que foram entregues a ela.

Mais medidas

Mantega já afirmou que novas ações podem ser anunciadas, inclusive, este ano. Entre elas, a ampliação de setores que contarão com a desoneração da folha de pagamentos e a prorrogação do Programa de Sustentação do Investimento (PSI), gerido pelo Banco de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

“Mais do que anunciar medidas, é preciso que o tempo de implementação seja mais rápido”, disse ao BRASIL ECONÔMICO Flavio Castelo Branco, economista-chefe da Confederação Nacional da Indústria (CNI), referindo-se à burocracia para a efetivação das medidas, como a redução das taxas de juros cobradas no PSI.

“Se a implementação é mais lenta, se demora, vira um desestímulo aos investimentos.”

As projeções de Castelo Branco para 2013 miram dois cenários, ambos considerando que a crise externa continua: o primeiro leva em conta a efetividade plena das medidas anunciadas este ano, com aumento da competitividade e da produtividade. Isso levaria o PIB a acelerar na casa dos 4% — mesma projeção de Mantega. O outro, se não for possível obter os ganhos previstos pelas ações do governo, o teto para o crescimento ficará em 3%.

O presidente da CNI, Robson de Andrade, ressaltou que ainda há algumas frentes que podem ser usadas para incentivar a competitividade das empresas e, consequentemente, o nível de investimentos. Citou a renovação do Regime Especial de Reintegração de Valores Tributários para as Empresas Exportadoras (Reintegra), o fim da guerra fiscal e a desoneração total dos investimentos.

“Os investimentos são responsáveis pelo crescimento duradouro da economia”, ressaltou ao apresentar as projeções da Confederação para 2013.

Apesar de o PIB ter acelerado 0,6% integrantes do governo ainda tentam passar uma mensagem de otimismo. Lembram que essa foi a maior alta desde o primeiro trimestre do ano passado.

Ainda assim seguem os rumores entre os analistas de mercado de que o ministro Guido Mantega, desta vez, pode deixar o cargo.

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