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Analistas consultados na pesquisa Focus do BC apontam que 2012 encerrará com uma expansão de 1,27%, contra 1,50% na semana anterior; para 2013, projeção foi reduzida para 3,70%, após previsão de crescimento de 3,94% anteriormente

Reuters

O mercado reduziu pela terceira semana seguida as perspectivas para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro neste ano e no próximo, ao mesmo tempo em que elevou as projeções para o dólar, de acordo com a pesquisa Focus desta segunda-feira.

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Os analistas consultados agora preveem que 2012 encerrará com uma expansão do PIB de 1,27 por cento, contra 1,50 por cento na semana anterior. Para 2013, a expectativa foi reduzida para expansão de 3,70 por cento, após previsão de crescimento de 3,94 por cento anteriormente.

Os números, entretanto, ainda devem mudar, uma vez que o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística informou que a economia brasileira se expandiu no terceiro trimestre bem abaixo do esperado. Segundo dados divulgados na sexta-feira, o PIB cresceu apenas 0,6 por cento entre julho e setembro quando comparado com o segundo trimestre.

Para a produção industrial, calcanhar de Aquiles da economia, os analistas consultados no Focus veem agora contração de 2,38 por cento em 2012, ante queda de 2,30 por cento apontada na pesquisa da semana anterior. Para 2013, a expectativa é de expansão de 3,82 por cento, contra crescimento de 4,20 por cento anteriormente.

A pesquisa Focus desta segunda-feira mostrou também que o mercado elevou a previsão para o dólar, cuja expectativa agora é de que encerrará este ano a 2,07 reais, após 2,03 reais na semana anterior. Para 2013 essa perspectiva foi elevada a 2,06 reais, ante 2,02 reais.

Na sexta-feira, a moeda norte-americana disparou e fechou acima de 2,13 reais, o maior nível em mais de três anos e meio, uma vez que os números decepcionantes do PIB alimentaram as especulações de que o governo usará um real mais fraco para estimular a economia.

Selic

Ao mesmo tempo, os analistas mantiveram a projeção de que a Selic permanecerá no atual patamar de 7,25 por cento até o final de 2013.

Na semana passada, o Comitê de Política Monetária (Copom) encerrou o ciclo de afrouxamento monetário iniciado há mais de um ano ao manter a taxa básica de juros na mínima histórica de 7,25 por cento ao ano, indicando que ela ficará neste nível por um "período prolongado".

O objetivo do ciclo de redução na taxa de juros era estimular a economia brasileira, afetada pela crise internacional. Mas mesmo diante dos esforços do governo a economia tem enfrentado dificuldades em mostrar uma recuperação.

O BC muda o rumo de sua política monetária de olho na inflação que, embora indicadores mostrem desaceleração, ainda deve ficar bem acima do centro da meta do governo de 4,5 por cento pelo IPCA, tanto neste ano quanto no próximo, como mostram as expectativas dos analistas consultados na pesquisa Focus.

A projeção para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) no Focus foi mantida em 5,43 por cento para 2012 e em 5,40 por cento para 2013.

Parte do mercado considera que, em caso de aceleração da inflação, o BC poderá usar outros instrumentos de política para controlar os preços, além de medidas macroprudenciais.

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