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Eduardo Araújo adapta técnicas de criação de cavalo e gado para produzir os animais com volume e tecnologia inéditos no agronegócio

Em um ano, Araújo produziu 25 animais, que podem valer até R$ 150 mil, segundo o cantor
Wagner Avila/Divulgação
Em um ano, Araújo produziu 25 animais, que podem valer até R$ 150 mil, segundo o cantor

Eduardo Araújo, cantor que pertenceu à Jovem Guarda e depois fez carreira na música country, afirma ter desenvolvido a primeira "fábrica de burros" do País. Seu haras, localizado em Araçoiaba da Serra, próximo a Sorocaba (SP), usa técnicas de criação de cavalo e gado para produzir os animais com volume e tecnologia inéditos no agronegócio, segundo ele.

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Araújo possui seis éguas mangalarga marchadoras, uma raça de prestígio, para serem as matrizes genéticas dos animais. Para quem não se lembra: uma égua pode cruzar com um jumento para nascer um burro ou uma mula, que normalmente são estéreis. O cantor tem também um jumento tipo pêga da lendária fazenda Aliança (MG) que diz ser "um fenômeno, morfologicamente perfeito".

Sete dias após a fecundação, ele retira o óvulo fertilizado e implanta em uma égua comum, com estrutura física compatível. "Em vez de a égua matriz ter um filho por ano, pode ter oito ou nove. Isso não é inédito em gado e cavalo, mas em burros, sim. Podem ter acontecido experiências, mas não na escala em que estou fazendo, por isso chamo de 'fábrica", diz Araújo.

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Desde que começou o projeto, há pouco mais de um ano, ele produziu 25 burros, mas ainda não começou a vender. "Vou esperar eles estarem mais criados, daqui a dois ou três anos", diz. Araújo pretende fazer um leilão e afirma que um animal de boa qualidade pode render até R$ 150 mil, enquanto um burro ou mula comuns variam entre R$ 1,5 mil e R$ 3 mil.

Araújo se apresenta no Jockey Club (SP), nesta semana, em evento que teve o governador Alckmin
iG São Paulo
Araújo se apresenta no Jockey Club (SP), nesta semana, em evento que teve o governador Alckmin

"É um dos animais que mais têm mercado no País. Os donos compram para montar, ir a romaria, cavalgada, torneio de prova de marcha, muitas coisas. O burro tem hoje um mercado de lazer", afirma. "Meu foco é em 'burro de patrão', que é o animal bonito, alto, com andamento macio, e estou fazendo um burro exótico, que ainda é malhado", explica.

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Enquanto não vende os burros, ele ganha dinheiro comercializando "coberturas" de seu jumento pêga, ou seja, alugando o animal para donos de éguas. A "noite de amor" custa R$ 5 mil. "Só não alugo para cobrir jumenta, senão nasce um jumento como ele e todo mundo vai começar a produzir meus burros", diz. Araúro também vende embriões, que custam entre R$ 15 mil e R$ 30 mil. 

Ele também conta que sua mãe, Maria Araújo, 93 anos, foi a "maior criadora de jumento pêga do País". A criação dela ficava na fazenda Aliança, no Vale do Jequitinhonha (MG) e "chegou a ter 500 jumentas parindo", diz o cantor. "Dou continuidade a esse trabalho, mas dessa forma mais tecnológica, com foco maior em qualidade, não quantidade", conta.

Araújo falou com o iG durante o prêmio Produz Brasil, entregue quarta-feira no Jockey Club de São Paulo, onde se apresentou para convidados como o governador Geraldo Alckmin (PSDB-SP) e o deputado federal Ronaldo Caiado (DEM-GO), da bancada ruralista.

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