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Após fraco desempenho no terceiro trimestre, com um PIB de 0,6%, economistas e entidades setoriais revisam pra baixo projeções de crescimento

O resultado decepcionante de 0,6% do Produto Interno Bruto (PIB), referente ao terceiro trimestre, já provocou revisões imediatas nas projeções para o crescimento do País em 2012.  Muitos especialistas e entidades setoriais já apontam que a economia deve crescer abaixo de 1%  este ano.

Na avaliação do economista da Gradual Investimentos, André Perfeito, levando em conta a revisão do PIB dos trimestres anteriores, o investimento que não avança e os gastos públicos restringidos pela piora fiscal, a projeção do especialista é de que o PIB deste ano chegue a irrisórios 0,95%.

"O investimento caiu pelo 5º trimestre consecutivo e hoje acumula queda de -2,41% na variação anual", disse. "O investimento tão pífio é consequência de dois movimentos simultâneos. De um lado há uma mudança de patamar nos juros que tem gerado muito desconforto no empresariado; uma mudança no consenso do mercado é uma tarefa difícil que só pode surgir com uma firme atitude da Autoridade Monetária, como diria Keynes", acrescenta.

Variação do PIB

Desempenho trimestral da economia brasileira

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Fonte: IBGE Fonte: IBGE * Comparação com o desempenho no trimestre imediatamente anterior


O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson Braga de Andrade, disse nesta sexta-feira que o empresário brasileiro já esperava um mau resultado do Produto Interno Bruto (PIB) no terceiro trimestre e desempenho abaixo de 1% ao final do ano.

De acordo com ele, a expectativa da CNI é de que o crescimento da economia do País fique em 0,8% ao final de 2012. "Nossas pesquisas mostram que o empresário já esperava um crescimento abaixo de 1% neste ano", afirmou Andrade, durante entrevista coletiva na sede da CNI após encontro com presidentes de grandes empresas que compõem a Mobilização Empresarial pela Inovação (MEI), na capital paulista.

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Apesar da decepção com o resultado, o presidente da CNI afirmou que a economia nacional já dá indícios de retomada. "A gente vê sinais de melhora que levarão o PIB a crescer perto dos 4% no ano que vem", afirmou.

Andrade, no entanto, alertou que o avanço da economia do País está sustentado no consumo e que é preciso estimular investimentos. "Temos defendido junto ao governo políticas de incentivo aos investimentos", disse, ressaltando que vê movimentações da equipe da presidente Dilma Rousseff nesse sentido. "O governo está programando investimentos vultosos."

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Andrade afirmou, porém, que é preciso avançar na desoneração tributária dos investimentos e transformar ações de estímulo à indústria, como o Reintegra - para as empresas exportadoras -, em políticas de longo prazo. Ele disse, ainda, que os Estados e municípios também têm responsabilidade nas desonerações, citando o ICMS ( tributo estadual) e o ISS (municipal).

Para a consultoria Austin Rating o resultado do PIB no 3º trimestre decepcionou e ficou muito aquém do cenário de recuperação esperado para ocorrer entre julho e setembro.

Em relatório, a consultoria aponta que no último trimestre de 2012 a economia deverá crescer 1,5% na comparação com o mesmo período do ano anterior, sustentada em grande medida pelo PIB da agropecuária e serviços, além do retorno do crescimento do PIB da Indústria que deverá avançar 0,8%.

"Nesse contexto, a partir dos resultados que reafirmam a letargia da economia brasileira contínua neste segundo semestre, a Austin Rating revisou sua estimativa de expansão do PIB para 2012 de 1,7% para apenas 0,9%, muito aquém do cenário esperado", segundo a Austin.

(Com Agência Estado)

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